Política Internacional
Nelson Trad critica ação na Venezuela e avalia convocar Congresso durante recesso
Presidente da CRE diz que ofensiva foi ilegal, cobra respeito ao direito internacional e alerta para impactos em brasileiros e fronteiras
03/01/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Nelson Trad Filho (PSD-MS) adotou tom crítico e direto ao comentar a ação militar dos Estados Unidos em território da Venezuela. Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e da Comissão Temporária Externa para interlocução sobre relações econômicas com os EUA, Trad afirmou que a ofensiva “foi ilegal num governo ilegítimo” e defendeu atuação firme do Parlamento diante da escalada de tensão no país vizinho.
“Não dá para passar a mão na cabeça dos malfeitos do Maduro. A soberania e a democracia que me perdoem. Não foi por falta de aviso”, disse o senador.
Trad informou que, se necessário, irá defender a convocação imediata de reuniões extraordinárias da Comissão Representativa do Congresso Nacional e da CRE, mesmo durante o recesso parlamentar, para acompanhar os desdobramentos.
Segundo o senador, a CRE acompanha a crise com preocupação especial quanto à segurança de brasileiros na Venezuela e aos impactos nas cidades brasileiras da faixa de fronteira. Ele destacou que os acontecimentos ainda estão em curso e podem gerar efeitos de curto, médio e longo prazos, o que exige monitoramento permanente pelo Legislativo.
Neste momento, a orientação é aguardar posicionamentos oficiais, incluindo eventual pronunciamento ou coletiva do presidente dos EUA, Donald Trump, prevista para as 13h (horário de Brasília), além da manifestação do governo brasileiro, que já convocou reunião de emergência para avaliar o cenário. A CRE também observa as reações de potências e aliados do governo venezuelano, como China, Irã e Rússia.
Entre os pontos que chamaram a atenção da comissão estão a rapidez da operação militar e a possibilidade de conivência interna. A CRE ressalta que o episódio ocorre em um contexto de corrosão institucional, repressão a opositores, prisões políticas e acusações de vínculos com o crime organizado atribuídas ao governo de Nicolás Maduro.
Apesar das críticas ao regime venezuelano, Trad enfatizou que o combate ao narcotráfico e a defesa da democracia não legitimam a banalização do uso da força contra a soberania de um Estado. Qualquer ação, afirmou, deve respeitar o Direito Internacional e os princípios da Organização das Nações Unidas.
A tensão se intensificou após Trump confirmar, em rede social, uma ofensiva em larga escala e a captura de Maduro, sem informar o destino do presidente e da esposa. A vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez afirmou desconhecer o paradeiro e exigiu prova de vida. Na madrugada, ao menos sete explosões foram registradas em Caracas, em cerca de 30 minutos.
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