Política Internacional
Em MS, venezuelanos relatam desespero de familiares após ataques atribuídos aos EUA
Imigrantes falam em isolamento, medo e risco de repressão em meio a relatos de bombardeios na Venezuela
03/01/2026
08:15
CGN
DA REDAÇÃO
Cunhado, irmã, mãe e sobrinha de Gabriela em shopping da Capital (Foto: Arquivo Pessoal)
Imigrantes venezuelanos que vivem em Mato Grosso do Sul relatam angústia e desespero de familiares após ataques atribuídos aos Estados Unidos em território da Venezuela, na madrugada deste sábado (3). As informações chegam de forma fragmentada, em meio a instabilidade nas comunicações, medo de repressão e ruas esvaziadas em cidades venezuelanas.
“Estão desesperados”, afirma Gabriela Isabella Méndez, de 25 anos, que deixou a Venezuela há sete anos e hoje vive no Brasil. No país de origem, permanecem a mãe, irmãos e sobrinhos, que acordaram com relatos de explosões e ações militares.
Segundo Gabriela, a família entrou em contato ainda durante a madrugada para avisar que poderia ficar sem comunicação, diante de relatos de ataques em Caracas e outras localidades. “Disseram que havia drones e que os alvos pareciam aleatórios”, contou.
As tensões entre Washington e Caracas já eram acompanhadas pela família há anos, mas a intensidade dos relatos pegou a todos de surpresa. “A gente nunca acreditou que isso chegaria a esse nível”, disse Gabriela.
Ela relata que, segundo familiares, o governo venezuelano teria sido surpreendido pela ofensiva. “Minha irmã disse que eles não chegaram hoje, que passaram a virada por lá. O Nicolás Maduro fez um comunicado na TV pedindo para os soldados descansarem, na virada do dia 1º para o 2. Os ataques aconteceram na madrugada do dia 3”, afirmou.
A cidade onde a família mora não está entre as atingidas, e não houve registro de feridos entre parentes. Ainda assim, o clima é de incerteza e temor. “Meu irmão saiu para buscar algumas coisas no trabalho e disse que não tem ninguém na rua, está tudo isolado. Eles ficam escondidos porque a polícia permanece do lado de fora e querem pegar jovens para ajudar”, relatou.
Até o ano passado, parte da família de Gabriela vivia em Campo Grande. A irmã, o cunhado e a sobrinha moraram na capital sul-mato-grossense por oito anos. Em 2024, a irmã decidiu retornar à Venezuela após uma melhora percebida nas condições de vida. O cunhado permaneceu no Brasil, mas estava no país vizinho visitando a esposa e a filha.
“Meu cunhado foi agora em dezembro e me pediu para avisar o patrão sobre o que está acontecendo. A gente fica com medo porque não sabe como o país vai reagir nem o que vai acontecer agora. Quando soube do ataque, fiquei arrasada, porque nunca quis que eles voltassem para lá”, desabafou.
Autoridades venezuelanas contestam versões divulgadas por Washington e exigem esclarecimentos sobre os acontecimentos. Organismos internacionais acompanham a crise, enquanto não há confirmação independente sobre a extensão dos ataques, vítimas civis ou o impacto real nas cidades citadas.
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