Política Internacional
Trump diz que Venezuela “roubou petróleo dos EUA” e anuncia exploração por empresas americanas
Republicano afirma que indústria petrolífera venezuelana é um “fracasso” e promete entrada de gigantes do setor para recuperar produção
03/01/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que os sucessivos governos da Venezuela “roubaram” petróleo norte-americano e anunciou que empresas dos EUA passarão a explorar as gigantes reservas venezuelanas. A declaração foi feita durante coletiva em que Trump detalhou a captura do ditador Nicolás Maduro.
“Vamos colocar nossas gigantescas companhias petrolíferas — as maiores do mundo — para gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura, que está em péssimo estado, e gerar lucro”, disse Trump. Segundo ele, a indústria do país estava “um fracasso total” há muito tempo e produzia muito abaixo do potencial.
Trump já vinha sinalizando foco no petróleo venezuelano ao apreender petroleiros de Caracas durante a recente pressão sobre o regime de Maduro. Ainda assim, não está claro se empresas americanas aceitarão assumir os custos da reconstrução. O presidente afirmou que os investimentos seriam reembolsados e que o petróleo seria vendido a diversos países.
A Venezuela declara possuir mais de 300 bilhões de barris no subsolo — cerca de 17% das reservas globais. Apesar disso, a produção atual gira em torno de 1 milhão de barris/dia, cerca de 1% da produção mundial. No início da década de 2010, o país produzia mais de 2 milhões de barris/dia.
A crise econômica e social, a má gestão da estatal PDVSA e sanções impostas pelos EUA levaram o setor a um colapso estrutural. Hoje, o petróleo venezuelano é exportado principalmente para a China.
Analistas avaliam que a recuperação não será simples nem barata. A consultoria Energy Aspects estima que acrescentar 500 mil barris/dia custaria cerca de US$ 10 bilhões e levaria dois anos. Aumentos mais expressivos exigiriam dezenas de bilhões ao longo de vários anos.
Segundo o site Politico, o governo americano vinha oferecendo as reservas venezuelanas a empresários dos EUA, mas a degradação da infraestrutura e a incerteza política sobre quem governará o Palácio de Miraflores reduzem o apetite do setor privado.
A Chevron é a principal empresa ocidental ainda em operação no país, respondendo por cerca de um quarto da produção venezuelana; aproximadamente metade do volume produzido é exportada para os EUA. Em nota neste sábado (3), a empresa informou que trabalha para garantir a segurança de funcionários e operações, afirmando operar em conformidade com todas as leis e regulações.
Reconstrução complexa da infraestrutura petrolífera venezuelana.
Investimentos bilionários e prazos longos para aumento relevante da produção.
Incerteza política pode atrasar decisões do setor privado.
Reconfiguração geopolítica do fluxo de petróleo, com possível redução da dependência da China.
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