Campo Grande (MS), Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026

Política / Justiça

Eduardo Bolsonaro reage a ordem da PF e diz que não entregará cargo de escrivão no Rio de Janeiro

Ex-deputado afirma não ter condições de retornar ao Brasil e acusa perseguição após perda do mandato na Câmara

02/01/2026

20:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (2) que não entregará seu cargo na Polícia Federal (PF), mesmo após portaria da corporação determinar seu retorno imediato à função de escrivão na delegacia de Angra dos Reis. A decisão ocorre depois de a Câmara dos Deputados declarar a perda do mandato do parlamentar por faltas.

“É óbvio que não tem condição de retornar ao Brasil agora, mas não vou entregar meu cargo de mãos beijadas”, declarou Eduardo em vídeo publicado na rede social X. Segundo ele, a medida teria como objetivo prejudicá-lo, inclusive com a perda de aposentadoria, porte de arma e armamento funcional.

Determinação da Polícia Federal

A ordem de retorno foi expedida pela Diretoria de Gestão de Pessoas da PF, que determinou a cessação do afastamento para exercício de mandato eletivo a partir de 19 de dezembro, data posterior à decisão da Mesa Diretora da Câmara que declarou a vacância do cargo parlamentar.

Com isso, Eduardo Bolsonaro retoma formalmente a lotação como escrivão na Polícia Federal em Angra dos Reis, conforme publicação no Diário Oficial da União.

Alegações e críticas

No vídeo, o ex-deputado afirmou não ter condições de voltar ao país, citando a situação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que, segundo ele, teria retornado à carceragem da PF em Brasília após cirurgias. Eduardo voltou a sustentar a narrativa de perseguição política e fez críticas duras à cúpula da corporação.

“Não abdiquei de privilégios parlamentares para me submeter aos caprichos de quem chefia a Polícia Federal”, escreveu. Em outra publicação, comparou a PF a uma “Gestapo” e afirmou que não trocaria sua honra por um emprego na burocracia pública.

Contexto e histórico

Eduardo Bolsonaro vive no Texas, nos Estados Unidos, desde março de 2025. À época, licenciou-se do mandato na Câmara alegando atuar para barrar, junto à Casa Branca, o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.

Ele ocupou o cargo de escrivão da Polícia Federal entre 2010 e 2014, com passagens por unidades em Guajará-Mirim (RO), Guarulhos (SP), São Paulo (SP) e Angra dos Reis (RJ). É formado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O que está em jogo

  • Perda do mandato por faltas declarada pela Câmara

  • Fim da licença para exercício de mandato eletivo

  • Ordem de retorno imediato à PF no RJ

  • Possíveis sanções administrativas em caso de descumprimento

A Polícia Federal ainda não se manifestou sobre eventuais medidas caso o ex-deputado não cumpra a determinação.


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