Campo Grande (MS), Domingo, 29 de Março de 2026

Política / Economia

Políticas sociais em Mato Grosso do Sul retiram mais de 40 mil pessoas da pobreza, aponta IBGE

Programas estruturantes da Sead reformulam assistência, ampliam inclusão e fortalecem ascensão educacional e produtiva

11/12/2025

11:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Mato Grosso do Sul vem consolidando, desde 2023, um modelo de políticas públicas focado na redução da pobreza e na superação da extrema vulnerabilidade social. Levantamento divulgado pela Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE mostra que mais de 40 mil pessoas deixaram a condição de pobreza entre 2023 e 2024, resultado de um conjunto de ações que combinaram mapeamento de famílias, busca ativa e transformação de programas assistenciais em instrumentos de inclusão produtiva, educacional e alimentar.

Com crescimento econômico contínuo e níveis elevados de emprego, o Estado estruturou na Secretaria de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead) uma política social baseada em permanência escolar, qualificação, segurança alimentar e incentivo ao estudo. Um exemplo é a reformulação do antigo Vale Universidade, que deu origem ao MS Supera, ampliando o acesso de estudantes de baixa renda ao ensino superior, inclusive em cursos de período integral.

Histórias que representam mudança de paradigma

Entre os beneficiados está a acadêmica de Medicina Ariadne Mariana Rocha da Cunha, de 24 anos, primeira da família a concluir o Ensino Médio. Ela ingressou na UFMS, mas enfrentou dificuldades financeiras para se manter no curso. A mudança na legislação do programa — que eliminou a exigência do estágio obrigatório, antes inviável para alunos de período integral — permitiu sua inclusão no MS Supera.

“Foi uma segunda vitória”, contou. “A primeira foi passar no vestibular, e a segunda foi ser selecionada para o programa.”
Filha de pedreiro e dona de casa, Ariadne está no 6º semestre do curso e afirma que sua trajetória é motivada pela experiência dolorosa vivida pela mãe ao ser mal atendida por um médico. “Quero tratar meus pacientes de forma diferente, independentemente da classe social”, afirmou.

O MS Supera concede um salário mínimo a estudantes de baixa renda, incentivando a permanência no ensino superior e reduzindo a evasão. Outro programa fortalecido é o Mais Social, que passou por ajustes estruturais e agora oferece adicional de R$ 300 para beneficiários que frequentam ensino regular ou a EJA.

Reestruturação da política social

A secretária estadual Patrícia Cozzolino explica que a reformulação das iniciativas teve como objetivo romper com práticas assistencialistas.

“Fizemos o diagnóstico e a adequação dos nossos programas para se transformarem em estruturantes, colocando as pessoas na vida produtiva por meio de incentivos positivos”, afirmou. “Estamos perseguindo a erradicação da extrema pobreza.”

Segundo o IBGE, a proporção de pessoas em extrema pobreza no Estado caiu 40,74% em dois anos, passando de 2,7% em 2022 para 2,0% em 2023 e chegando a 1,6% em 2024. O parâmetro internacional classifica como extremamente pobres as famílias que vivem com até US$ 2,15 por dia.

Busca ativa e expansão de programas

Para acelerar a identificação de famílias excluídas dos benefícios, a Sead iniciou, em março de 2025, uma operação de busca ativa em todos os 79 municípios. Com cruzamento de dados e georreferenciamento, equipes estão visitando áreas urbanas e rurais para incluir famílias hipossuficientes no Mais Social, que hoje atende mais de 40 mil lares. O MS Supera, atualmente com 2.200 vagas, será ampliado para 2.500 no próximo ano.

Além dessas iniciativas, o Governo do Estado mantém outros programas de proteção social, como o Energia Social: Conta de Luz Zero, que paga a conta de energia de 29 mil famílias, e o Cuidar de Quem Cuida, com 1.878 beneficiários. A política de segurança alimentar inclui ainda a entrega de cestas a mais de 20 mil famílias indígenas aldeadas.


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