Política / Câmara Federal
Glauber Braga é retirado à força da Mesa Diretora após protesto contra votação de cassação
Deputado ocupou cadeira da presidência da Câmara, se recusou a sair, teve transmissão cortada e plenário esvaziado pela Polícia Legislativa
09/12/2025
18:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O deputado federal Glauber Braga foi retirado à força da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, na tarde desta terça-feira (9), após ocupar a cadeira da presidência em protesto contra a decisão que colocou em pauta a votação de seu processo de cassação. A ordem de esvaziamento do plenário partiu do presidente da Casa, Hugo Motta, que também determinou a retirada da imprensa e o corte da transmissão ao vivo da TV Câmara.
Por volta das 16h04, Glauber Braga sentou-se na cadeira da presidência e se recusou a deixar o local. Às 17h34, o sinal da TV Câmara foi abruptamente interrompido, e, em seguida, a Polícia Legislativa iniciou o esvaziamento do plenário, retirando jornalistas e assessores.
Às 18h08, o parlamentar foi retirado à força da cadeira da presidência, mesmo demonstrando resistência. Deputados protestaram no entorno, enquanto outros registravam a cena com celulares. Após a confusão, a sessão da Câmara foi oficialmente cancelada.
A ocupação ocorreu horas depois de Hugo Motta anunciar que a cassação de Glauber Braga será votada nesta quarta-feira (10). Também estão previstas, na mesma semana, as análises dos mandatos da deputada Carla Zambelli e, na sequência, do deputado Alexandre Ramagem.
Após ser retirado, Glauber criticou a condução do episódio:
“A única coisa que eu pedi ao Hugo Motta foi que ele tivesse comigo 1% do tratamento que teve com aqueles deputados que sequestraram a Mesa Diretora por 48 horas”, declarou, em referência à obstrução liderada por parlamentares bolsonaristas em agosto.
No início de agosto, deputados da oposição ocuparam fisicamente a Mesa Diretora por mais de 30 horas, em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, o deputado Marcel van Hattem chegou a impedir fisicamente que Hugo Motta se sentasse na cadeira da presidência.
Apesar disso, não houve retirada à força nem corte da transmissão, fato que foi usado por Glauber como argumento de tratamento desigual.
O processo de cassação tem origem em abril de 2024, após representação apresentada pelo Partido Novo. A acusação envolve a expulsão, com chutes e empurrões, do militante do Movimento Brasil Livre (MBL), Gabriel Costenaro, dentro das dependências da Câmara.
Segundo o processo:
O conflito começou com discussão verbal nos anexos da Câmara
Evoluiu para empurrões e chutes
Seguiu para fora do prédio, sendo necessário apoio da Polícia Legislativa
No Departamento de Polícia Legislativa (Depol), houve novo confronto verbal com o deputado Kim Kataguiri
O relator do caso no Conselho de Ética, deputado Paulo Magalhães, concluiu que houve quebra de decoro parlamentar, com base em vídeos e registros do sistema interno da Câmara.
O parecer foi aprovado no Conselho de Ética em abril de 2025, mas a votação definitiva no plenário vinha sendo adiada desde então.
Após a retirada da imprensa do plenário, a assessoria de Hugo Motta informou que a ação seguiu um “protocolo interno”, sem detalhar qual norma foi aplicada.
Glauber Braga criticou duramente a decisão:
“Nunca vi o sinal da TV Câmara ser cortado durante uma sessão”, afirmou o deputado.
16h04 – Glauber Braga ocupa a cadeira da presidência
17h34 – TV Câmara corta a transmissão ao vivo e imprensa é retirada
18h08 – Polícia Legislativa remove Glauber à força do local
Após isso – Sessão do plenário é cancelada
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