Política / Partidos
Vander Loubet anuncia saída do PT do governo Riedel após apoio a Bolsonaro
Presidente do PT-MS diz que não há mais afinidade ideológica e prevê entrega de cargos; saída deve ser oficializada nos próximos dias
06/08/2025
13:00
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A permanência do Partido dos Trabalhadores (PT) na base de apoio do governador Eduardo Riedel (PSDB) chegou ao fim. O presidente estadual da legenda, Vander Loubet, anunciou nesta quarta-feira (6) que o partido deixará os cargos que ocupa no governo de Mato Grosso do Sul e romperá com a aliança selada no segundo turno de 2022. O motivo foi a nota oficial de Riedel em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
“Entramos pela porta da frente e saímos da mesma forma. Não há mais ambiente programático e ideológico para continuarmos”, afirmou Loubet, em nota enviada por sua assessoria.
O rompimento foi acelerado após o governador Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB) se manifestarem contra a prisão de Bolsonaro, referindo-se à medida como um “exagero judicial”. A posição pública dos tucanos desagradou profundamente a cúpula petista, que já vinha demonstrando desconforto com a aliança.
“Fizemos um acordo com Riedel por considerá-lo sensato e democrático. O apoio expresso a Bolsonaro rompe com isso”, declarou Vander Loubet.
Segundo Loubet, a saída do governo também tem como pano de fundo a reorganização do partido para as eleições de 2026. O presidente do PT revelou que mantém diálogos com o PDT, do vereador Marcos Trad, e com Fábio Trad, irmão do ex-prefeito, visto como um nome viável para disputar o governo estadual.
“Estamos construindo novas alianças. Conversamos com o PDT, com o PSB de Paulo Duarte, e temos diálogo com Simone Tebet (MDB)”, afirmou.
Fábio Trad, atualmente sem partido após deixar o PSD, já foi mencionado anteriormente por Loubet como possível filiado ao PT para concorrer ao Governo de MS.
Na Assembleia Legislativa, os deputados Pedro Kemp e Gleice Jane (PT) também declararam que o desembarque da base de Riedel é inevitável, e que a formalização da saída ocorrerá ainda em agosto.
“O ideal seria discutir após a posse da nova direção do PT em setembro, mas o apoio a Bolsonaro antecipou tudo”, disse Kemp. “Acho que da semana que vem não passa.”
A legenda ocupa atualmente cerca de 25 cargos no Executivo Estadual, incluindo funções em secretarias ligadas à agricultura familiar, desenvolvimento social e fomento à economia popular.
Enquanto o PT caminha para o rompimento, o deputado estadual Paulo Duarte (PSB) declarou nesta quarta-feira que sua prioridade é permanecer na base do governador Riedel, mesmo diante das críticas internas à posição nacional do PSB.
“Vou ficar na base do Riedel. Se o PSB tiver outra posição, eu não tenho como ficar. Não entro em debates de questões nacionais”, afirmou à imprensa local.
A nota de apoio a Bolsonaro, publicada por Eduardo Riedel, foi divulgada enquanto o governador cumpre agenda internacional na Ásia, com foco na abertura de novos mercados para exportações de MS. O retorno ao Brasil está previsto para o dia 16 de agosto.
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