Política / Justiça
Homem que abandonou corpo em mata alega surto e passa por avaliação psiquiátrica
Defesa diz que vítima pode ter morrido de mal súbito, mas polícia investiga possível feminicídio em Terenos (MS)
29/07/2025
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O caso da morte de Raquel Perciliano, de 59 anos, encontrada morta em uma área de mata às margens da MS-355, em Terenos (MS), ganhou novos desdobramentos nesta semana. O principal suspeito, Antônio Cipriano da Silva, que abandonou o corpo da vítima em uma vala coberta por um tapete, está sendo submetido a acompanhamento psiquiátrico, segundo sua defesa. Ele teria tido um “surto” ao presenciar a morte da mulher e, em choque, não soube como agir.
De acordo com o advogado Ivam Silva, que representa o suspeito, o homem ficou desnorteado e “entrou em desespero” após ver Raquel morta dentro do carro, durante o que teria sido um encontro íntimo entre os dois. A versão apresentada à polícia é de que a vítima pode ter sofrido um infarto fulminante. Apesar da hipótese de mal súbito, a Polícia Civil investiga também a possibilidade de feminicídio.
“Ele entrou em desespero, ficou desnorteado. Estava em surto. Não foi algo planejado ou desejado”, afirmou o advogado.
O corpo de Raquel foi localizado na madrugada de domingo (27), após o próprio suspeito conduzir os policiais até o local onde havia deixado a vítima. A polícia reconstruiu o trajeto, realizado por volta das 13h de sábado, após o casal ser visto saindo da residência de Raquel por câmeras de segurança. As imagens mostram que eles seguiram juntos até a região rural e que, cerca de 15 minutos depois, o homem retornou sozinho, sem registros de paradas para socorro.
Antônio, que é irmão de um vereador de Terenos, inicialmente afirmou que Raquel teria passado mal e vomitado sangue dentro do carro, informação não confirmada pela perícia. A versão levantou dúvidas sobre as reais circunstâncias da morte.
O laudo do Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) será fundamental para determinar se a morte foi causada por um evento natural ou se houve violência. A polícia trabalha com as tipificações de ocultação de cadáver e omissão de socorro, mas não descarta a possibilidade de feminicídio, caso sejam detectadas lesões ou outras evidências de agressão.
Outros exames foram solicitados, incluindo análise para identificar vestígios de sêmen. O suspeito admitiu que manteve relação sexual com a vítima, mas alegou não ter ejaculado. Segundo ele, era o segundo encontro entre os dois, que mantinham outros relacionamentos.
A família de Raquel, por sua vez, afirma desconhecer qualquer vínculo entre ela e o suspeito, embora ele tenha dito que o relacionamento teve início enquanto ela trabalhava na prefeitura da cidade.
A Polícia Civil vai ouvir o marido e os filhos da vítima após o período de luto. Também será solicitado o levantamento do sigilo telefônico de ambos os envolvidos, a fim de verificar o conteúdo das conversas mantidas nos dias anteriores à morte. A linha investigativa busca ainda apurar se Raquel possuía histórico de problemas cardíacos, o que poderia sustentar a versão de infarto espontâneo.
A defesa afirma que o acusado se apresentou voluntariamente e tem colaborado com as investigações. “Encaminhamos ele para o psiquiatra, porque está passando por um momento difícil, está muito abalado”, declarou o advogado.
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