Política / Congresso
PL e União Brasil articulam para barrar PEC que extingue escala 6×1 no Congresso
Valdemar Costa Neto e Antonio Rueda afirmam que estratégia é impedir avanço da proposta ainda na CCJ para evitar impacto eleitoral e econômico
23/02/2026
21:30
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
Os presidentes nacionais do PL, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil, Antonio Rueda, declararam que atuarão politicamente para impedir o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. As manifestações ocorreram durante jantar com empresários promovido pelo grupo Esfera Brasil, em São Paulo.
Segundo Valdemar Costa Neto, há forte resistência interna entre parlamentares em votar contra a proposta, diante do potencial desgaste eleitoral. “É difícil para um deputado federal ou senador votar contra”, afirmou o dirigente, ao defender uma estratégia de contenção antes que o texto chegue ao plenário. De acordo com ele, a intenção é atuar junto ao presidente da Câmara para barrar a matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). “É ali que vai ser a guerra”, declarou.
O presidente do PL avaliou ainda que a iniciativa faz parte de um conjunto de medidas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com apelo eleitoral. Na leitura do dirigente, a direita deverá reagir com propostas alternativas, que, segundo ele, devem ser apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na mesma linha, Antonio Rueda classificou a PEC como prejudicial ao setor produtivo e afirmou que a proposta “incomoda todos os pilares da indústria econômica do Brasil”. Para o presidente do União Brasil, a medida teria consequências inflacionárias e impacto direto no consumo. “Vai gerar inflação, cair no bolso do consumidor. Vai ser precificado”, afirmou.
Rueda reconheceu que, caso a proposta avance até o plenário, o cenário político pode se tornar desfavorável aos que se posicionarem contra. “Se for ao plenário, ela é avassaladora”, avaliou, ao destacar a pressão sobre parlamentares que disputarão reeleição.
Ambos defenderam articulação intensa nas comissões da Câmara como principal estratégia para frear a tramitação da PEC. O argumento central é que a proposta pode gerar efeitos estruturais na economia e pressionar custos no setor produtivo.
O debate sobre o fim da escala 6×1 tende a ampliar a polarização no Congresso, colocando em lados opostos parlamentares alinhados ao discurso de proteção ao trabalhador e aqueles que apontam riscos fiscais e econômicos decorrentes da mudança na legislação trabalhista.
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