Política / União de Câmaras
Eleição da União das Câmaras tem disputa acirrada e críticas à quebra de sigilo do voto em MS
Disputa entre Jeovani Vieira e Daniel Júnior movimenta 403 eleitores; votação com urnas por cidade gera denúncias de constrangimento
02/04/2025
13:45
DA REDAÇÃO
Votação na Câmara Municipal de Alcinópolis ©DIVULGAÇÃO
A eleição para a nova diretoria da União das Câmaras de Vereadores de Mato Grosso do Sul (UCVMS), realizada nesta quarta-feira (2), em Campo Grande, está sendo marcada por uma disputa acirrada e por denúncias de possível violação ao sigilo do voto. Com a participação de cerca de 400 vereadores e ex-vereadores de 31 municípios filiados, a votação teve início às 9h e segue até às 16h, na sede da entidade.
Dois candidatos polarizam a disputa: o atual presidente Jeovani Vieira (PSDB), que tenta a reeleição, e o vereador de Dourados Daniel Júnior (PP), que surge como favorito com apoio de nomes influentes, como o governador Eduardo Riedel, os ex-governadores Reinaldo Azambuja e André Puccinelli, além da senadora Tereza Cristina (PP) e do presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro (PP).
“Visitamos mais de 40 municípios. Foi um pleito bom, de conversa com os vereadores diretamente nas Câmaras”, afirmou Daniel Júnior, que tem como vice o vereador Junior Coringa (MDB), de Campo Grande.
Já Jeovani, acompanhado do vereador Sérgio Nogueira (PP) como vice, disse ter percorrido todas as 31 cidades com direito a voto:
“Fomos bem recebidos porque temos a cara dos vereadores”, comentou o atual presidente.
A eleição deste ano trouxe uma mudança no formato da votação: as urnas estão identificadas com o nome da cidade do votante, ao contrário das eleições anteriores, quando havia uma única urna para todos.
Segundo o presidente da comissão eleitoral, vereador Jairo Fernandes (PL), a medida buscava agilizar o processo:
“O pessoal vota mais rápido ao chegar de sua cidade. A intenção foi facilitar e tudo está ocorrendo de forma democrática.”
Entretanto, a medida provocou críticas da chapa de Jeovani Vieira e da assessoria jurídica da UCVMS, que alegam riscos à privacidade dos votantes, especialmente em cidades com poucos vereadores, onde seria possível mapear os votos.
“Já temos denúncias de vereadores que vão se abster por receio de retaliações. Individualizar as urnas pode gerar constrangimento, e isso compromete o sigilo do voto”, afirmou Anderson Marques, assessor jurídico da entidade.
A controvérsia abriu espaço para um possível questionamento jurídico do resultado eleitoral. Segundo Marques, ainda há um recurso tramitando para revisão da decisão que autorizou o modelo de “uma câmara, uma urna”.
“Se o Judiciário entender que a decisão não foi debatida e comprometeu a lisura do pleito, a eleição pode ser anulada”, alertou o advogado.
Estão aptos a votar vereadores em exercício e ex-vereadores com filiação regular e mensalidade em dia. Do total de 403 eleitores habilitados, 85 são ex-vereadores que concluíram seus mandatos em 2024.
O resultado da eleição é esperado para o final da tarde desta quarta-feira, podendo definir novos rumos para a articulação política entre os legislativos municipais do estado.
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