Ampla Visão
Campanha eleitoral: chovem denúncias e escândalos
Escândalos eleitorais, polarização política e desgaste do eleitorado marcam o cenário pré-eleitoral, enquanto disputas em MS começam a ganhar temperatura.
02/07/2026
20:00
MANOEL AFONSO
‘DIVISAS’: Aposto que você conhece alguns deles. Pesquisas e cientistas políticos separam os eleitores segundo suas decisões. Os ideológicos são alinhados a um partido ou linha de pensamento. Votam com essa visão. Na outra ponta, os eleitores voláteis, sem apego a partidos, mudam o voto a cada eleição, dependendo das promessas ou do momento econômico.
DIVISORES: Ainda há os chamados eleitores de protesto, os desiludidos com o sistema político. Eles anulam o voto, votam em branco ou em candidatos folclóricos. Restam ainda os eleitores desengajados, que, por falta de interesse político, costumam decidir o voto na última hora, sob influência das redes sociais ou de parentes.
VALE TUDO: Novos escândalos pipocam com envolvimento de políticos e figuras do poder. Boa hora de recordar casos que atingiram candidaturas favoritas e alteraram o resultado das urnas. Como sempre, no período da campanha eleitoral chovem denúncias de corrupção, operações policiais e informações falsas contra adversários.
LEMBRA? Em 1989, Collor apresentou no horário eleitoral Miriam Cordeiro, ex-namorada de Lula, que o acusou de sugerir o aborto da filha do casal. Repercussão enorme e Collor venceu. Já em 2002, a candidata favorita Roseana Sarney foi envolvida na Operação Lunus, da PF, e sua candidatura implodiu, cedendo lugar para José Serra na disputa contra Lula.
‘ALOPRADOS’: Em plena campanha de 2006, integrantes do PT foram presos na tentativa de comprar documentos ligando os candidatos Serra e Alckmin ao escândalo das ambulâncias, os Sanguessugas. O próprio Lula condenou a ação dos companheiros. A imprensa deu destaque ao fato, provocando desgastes, e a eleição foi decidida no 2º turno.
PETROLÃO: O escândalo bagunçou a campanha presidencial de 2014, desgastando a presidente Dilma. A Operação Lava Jato revelou o esquema do Petrolão, com vazamento de depoimentos de diretores da Petrobras. Outro fato que mudou a dinâmica das eleições foi a morte do candidato Eduardo Campos em um acidente aéreo.
FACADA & FAKE NEWS: Em 2018, Bolsonaro foi vítima de uma facada, retirando-o dos debates de rua e gerando profunda comoção popular em seu benefício eleitoral. A campanha foi caracterizada pelo escândalo do disparo em massa de notícias falsas nas redes sociais e pelo WhatsApp, inclusive com boatos nocivos ao pleito.
ROBERTO JEFFERSON & CARLA ZAMBELLI: Dois fatos com aliados de Bolsonaro tensionaram o cenário no 2º turno de 2022. O ex-deputado Roberto Jefferson resistiu à prisão e atirou contra agentes federais. Já a deputada Carla Zambelli, às vésperas do 2º turno, sacou uma arma e perseguiu um cidadão negro em São Paulo. Os fatos prejudicaram a estratégia de Bolsonaro na busca de votos dos eleitores moderados.
CASO MASTER: É o maior escândalo em 2026. As relações de figuras do governo e da oposição com Daniel Vorcaro são graves: a verba doada para o filme de Bolsonaro, o envolvimento do senador Jaques Wagner, os atritos de Michelle Bolsonaro com Flávio Bolsonaro e os investimentos de risco prejudicando estados, municípios e investidores. Mas não se assuste. Há risco de este “cardápio” virar mero “cafezinho da manhã”.
RESUMINDO: Esses escândalos impunes aumentam o desinteresse do leitor, que prefere notícias menos desgastantes. Ele opta pelo segmento do besteirol, envolvendo o mundo artístico e esportivo, por exemplo. O leitor foi acometido de uma espécie de fadiga coletiva, mesclada com notório mau humor. E a tendência é piorar.
HUBERT ALQUÉRES: “A polarização entre lulismo e bolsonarismo organizou a vida política brasileira por quase uma década. Dominou eleições, moldou identidades, mobilizou paixões e transformou adversários em inimigos existenciais. Hoje, porém, começam a surgir sinais de desgaste. Não porque as divergências tenham desaparecido. Ao contrário. Elas permanecem profundas.”
ASSUSTADOR: Pela pesquisa do Datafolha, em junho, 67% dos brasileiros não se lembram em quem votaram há 4 anos para deputado federal, e 66% não se lembram em quem votaram para Senado e deputado estadual. Essa falta de lembrança é o retrato sem retoques da falta de comprometimento do eleitor com as causas que dizem respeito ao governo, ao país, ao Estado e a ele próprio.
CARAVINA: Fiel ao estilo Jovem Guarda, aos 56 anos, mantém o corte de cabelo em que aparecem os fios brancos. Mas não é por acaso. Desde a estreia na política, em 2012, como prefeito de Bataguassu, participou de 12 eleições, como candidato e apoiador. Pode agregar apoio para tentar a presidência da Assembleia. Leva jeito.
LONDRES MACHADO: Conversei com o amigo Dorival Betini, após sua visita ao deputado. Segundo ele, o “Chinês” tem uma interpretação estritamente religiosa sobre a perda da filha e se mostrou resignado com a tragédia, que é parte da vida. Lembrando Nietzsche: “O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte.”
NA ESTRADA: Ao seu estilo sóbrio, o governador Riedel se firmou como protagonista de uma nova fase social e econômica de Mato Grosso do Sul. Conseguiu, com sua postura séria, granjear a respeitabilidade da sociedade. A oposição até tenta “arrombar” essa fortaleza, mas sem êxito. É o que mostram todas as pesquisas.
SENADO: Ouço políticos do interior e da Capital, converso com pessoas anônimas no dia a dia e concluo: a disputa pelas duas cadeiras senatoriais é mais complicada do que a eleição ao governo. Pergunta-se: o que vai decidir, o poder do carimbo bolsonarista ou os currículos e propostas dos concorrentes?
TEMPERATURA MÁXIMA: O último lance desta guerra eleitoral foi a recente confirmação do presidente Valdemar Costa Neto, de que o Capitão Contar será o candidato número 2 do PL. Segundo pesquisas, a diferença entre Reinaldo, Contar e Nelsinho é pequena, sujeita a fatores diversos durante a campanha. A vitória será por “uma cabeza”.
BOBAGEM: Tenho notado, em muitas manifestações pessoais, certo “policiamento” ideológico a respeito do futuro político da nossa ex-senadora Simone Tebet. Noto mais: agora, com a possibilidade de ela disputar um cargo no Estado de São Paulo, parece haver até uma torcida para seu insucesso nas urnas. Insisto: quanta bobagem, quanta pobreza de espírito. Pera lá! Simone tem seus méritos.
PÍLULAS DIGITAIS:
Michelle evoluiu de cuidadora de preso enfermo a pavio de Flávio.
Josias de Souza
Quem sabe governar sempre encontra os que sabem obedecer.
Friedrich Nietzsche
Flávio tem força, mas na Casa Branca.
Elio Gaspari
Políticos em campanha soltam tantas pérolas que já não abrem mais a boca. Abrem as ostras.
José Simão
Espere pelo mais sábio dos conselhos: o tempo.
José Saramago
O privilégio de sentir-se em casa em qualquer lugar é dos reis, prostitutas e ladrões.
Balzac
Michelle Bolsonaro bateu no fígado de Flávio.
Mario Sabino
O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar.
Lupicínio Rodrigues
A vida pede coragem, não permissão.
João Guimarães Rosa
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