Campo Grande (MS), Quinta-feira, 02 de Julho de 2026

Política / Comércio

Lula acusa família Bolsonaro de entreguismo após carta de Flávio aos Estados Unidos

Presidente criticou pedido para adiar tarifa contra produtos brasileiros e afirmou que soberania do país “não está à venda”

02/07/2026

17:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente o ofício enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos sobre a proposta de tarifa contra produtos brasileiros. Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que a família Bolsonaro pratica “entreguismo” e tenta submeter o Brasil aos interesses norte-americanos.

A manifestação ocorreu após Flávio defender, em documento enviado ao governo dos EUA, que a aplicação de novas tarifas ao Brasil poderia favorecer politicamente Lula na eleição presidencial. O senador pediu que a sobretaxa fosse suspensa ao menos até o período eleitoral brasileiro.

Para Lula, o pedido representa uma afronta à soberania nacional. “É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano”, afirmou o presidente.

O petista também classificou como “atitude de traidores da Pátria” a sugestão de adiar o chamado tarifaço para depois das eleições. Segundo Lula, não há justificativa para a aplicação de tarifas contra produtos brasileiros, seja agora ou em outro momento.

“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, declarou.

A crítica de Lula foi feita no mesmo dia em que o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo brasileiro trabalha contra o tempo para tentar construir um acordo com os Estados Unidos antes do prazo de 15 de julho.

“Estamos tentando construir um consenso. O tempo corre contra, não corre a favor, porque o prazo é 15 de julho. São muitas as questões postas”, afirmou o ministro.

Sem citar nominalmente os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Márcio Elias Rosa também criticou interferências políticas nas negociações. Segundo ele, temas que não deveriam estar na mesa acabam sendo levados ao debate e dificultam o diálogo entre os dois países.

“Infelizmente algumas questões que não deveriam estar na mesa são trazidas eventualmente para o debate. Isso dificulta, polui o diálogo. Todas as vezes que nós caminhamos positivamente, parece que surge algum empecilho, um atropelo, e nós precisamos superar”, disse o chefe do MDIC.

Na publicação, Lula afirmou ainda que a origem da crise tarifária teria relação com manifestações públicas da própria família Bolsonaro em defesa de medidas contra produtos brasileiros. O presidente também criticou posições contrárias ao Mercosul, bloco que classificou como o mais importante da América Latina.

Outro ponto citado por Lula foi o Pix. O presidente acusou a família Bolsonaro de tentar entregar o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos a interesses estrangeiros. Segundo ele, o Pix é uma conquista nacional e não será colocado em negociação.

“Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, afirmou.

A troca de acusações ocorre em meio à tentativa do governo brasileiro de evitar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos nacionais. A medida é discutida pelo governo norte-americano no contexto de uma investigação comercial conduzida pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Com o prazo se aproximando, o Palácio do Planalto tenta manter as negociações em curso enquanto reage politicamente à atuação de integrantes da oposição junto ao governo dos Estados Unidos. O tema deve seguir no centro do embate entre governo e bolsonaristas nos próximos dias.


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