Política / Comércio
Flávio cita Banco Master em carta aos EUA, mas não menciona relação com Daniel Vorcaro
Senador associa caso ao governo Lula ao pedir suspensão de tarifas contra o Brasil; documento não aborda financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro
02/07/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou o caso do Banco Master em carta enviada ao governo dos Estados Unidos para pedir a suspensão das tarifas anunciadas pela Casa Branca contra produtos brasileiros. No documento, o parlamentar classificou o episódio como o “maior escândalo bancário da história” e tentou relacionar o caso ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro argumentou que a imposição das tarifas poderia gerar uma vitória política para Lula e defendeu que qualquer decisão sobre o tema seja adiada para depois das eleições brasileiras. A carta foi encaminhada no contexto das discussões sobre a sobretaxa de 25% aos produtos do Brasil.
No texto, o senador também aborda o histórico de corrupção no país, um dos argumentos usados pelo governo de Donald Trump para justificar a medida comercial. Flávio cita a Lava Jato e o Mensalão como grandes escândalos nacionais e afirma que, durante o governo de Jair Bolsonaro, não houve casos comparáveis. Na sequência, menciona os descontos indevidos no INSS e o caso do Banco Master como episódios ligados ao atual governo.
“O escândalo é descrito como a maior fraude bancária da história do país. A investigação revelou uma rede de proximidade entre o controlador do banco e a cúpula do governo”, escreveu Flávio Bolsonaro no documento enviado aos norte-americanos.
A expressão usada pelo senador, porém, já havia sido empregada em janeiro pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), adversário político de Flávio. Na ocasião, Haddad afirmou que o país poderia estar diante da maior fraude bancária de sua história e que o caso exigia cautela das autoridades.
Na carta aos Estados Unidos, Flávio cita supostas relações do Banco Master com nomes ligados ao PT, como o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado.
O documento, no entanto, não menciona a relação do próprio senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Master. Vorcaro é apontado como financiador do filme “Dark Horse”, produção sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo as informações citadas na reportagem, Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção do filme. Um áudio de setembro de 2025 mostra Flávio Bolsonaro cobrando novos repasses ao ex-banqueiro. Posteriormente, o senador admitiu ter se encontrado com Vorcaro depois da primeira prisão dele, mas afirmou que a reunião teria ocorrido para encerrar a parceria.
Flávio também não cita na carta a proximidade de aliados políticos com Daniel Vorcaro, entre eles o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O parlamentar preferiu concentrar o documento em acusações contra integrantes e aliados do governo Lula.
Ainda no ofício, Flávio Bolsonaro afirma que o caso Master teria impacto sobre o sistema financeiro norte-americano, teria prejudicado cidadãos dos Estados Unidos e poderia ter vínculos com o crime organizado. Ele menciona, sem detalhar, a possível relação com ao menos uma organização classificada recentemente como FTO, sigla em inglês para Organizações Terroristas Estrangeiras.
O senador também voltou a criticar o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF) por decisões e medidas que, segundo ele, afetariam empresas norte-americanas de redes sociais. Flávio cita decretos do governo federal para atualizar regras do Marco Civil da Internet e decisões da Suprema Corte sobre a responsabilização das plataformas por conteúdos publicados por usuários.
Para o parlamentar, essas mudanças deveriam ter passado pelo Congresso Nacional, e não sido definidas por decreto ou por julgamento do STF. Ele também menciona pedidos de impeachment contra ministros da Corte que estão parados no Senado e afirma que essas ações poderiam avançar caso a oposição ganhe força nas eleições.
O caso ocorre em meio ao aumento da tensão política em torno da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. Enquanto o governo brasileiro tenta evitar a aplicação das tarifas, integrantes da oposição buscam associar as negociações a críticas ao governo Lula, ao STF e a casos de corrupção investigados no país.
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