Campo Grande (MS), Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

Política / Eleições 2026

PL em Mato Grosso do Sul deve manter indefinição sobre segunda vaga ao Senado

Apesar de manifestação de Jair Bolsonaro por Marcos Pollon, Reinaldo Azambuja defende escolha com base em pesquisas

31/05/2026

08:30

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO/IA

O PL de Mato Grosso do Sul deve manter em aberto a definição sobre a segunda candidatura ao Senado em 2026, mesmo após manifestação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em favor do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS).

Presidente regional do partido, o ex-governador Reinaldo Azambuja tem indicado que sua própria candidatura ao Senado já está consolidada dentro da legenda. A segunda vaga, no entanto, deve ser definida a partir de pesquisas qualitativas e quantitativas, conforme vem sendo defendido por ele nos bastidores.

Entre os nomes avaliados, o ex-deputado estadual Capitão Contar aparece como um dos principais interessados na disputa. Ele deixou o PRTB e se filiou ao PL com a expectativa de concorrer ao Senado. Contar ainda carrega o desempenho da eleição passada, quando chegou ao segundo turno na disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul.

A movimentação contrasta com a expectativa de Marcos Pollon, que passou a tratar publicamente sua pré-candidatura como uma decisão já tomada por Jair Bolsonaro. O deputado chegou a enquadrar uma carta escrita de próprio punho pelo ex-presidente, na qual Bolsonaro apontava Pollon como nome de sua preferência para o Senado no Estado.

Nas redes sociais, Pollon afirmou que a indicação não se trata de especulação política, mas de uma orientação direta do ex-presidente.

“Tenho andado pelo Mato Grosso do Sul e muita gente ainda me pergunta ‘vai ser candidato a quê?’. Então eu quero deixar claro: eu sou soldado de Jair Messias Bolsonaro. No mês passado, o presidente me escreveu uma carta de próprio punho me indicando como seu pré-candidato ao Senado pelo Mato Grosso do Sul em 2026. Isso já foi definido. Não é bastidor, não é especulação. Isso é ordem. É determinação”, declarou.

O parlamentar também disse que pretende cumprir a orientação de Bolsonaro e manter sua atuação ligada às pautas defendidas pelo ex-presidente.

“E como eu sempre disse, eu sou soldado, eu cumpro a ordem do meu líder. Eu não vou desistir do Brasil, não vou desistir do Bolsonaro, não vou desistir dos presos do 8 de janeiro e não vou desistir do Mato Grosso do Sul, não importa a porrada que vier. Se o sistema nos odeia, que nos odeie”, afirmou Pollon.

Apesar da pressão política, o desempenho de Marcos Pollon nas pesquisas é apontado como um obstáculo dentro do partido. A exceção citada por aliados do deputado é o levantamento do instituto Veritás, que chegou a colocá-lo em posição de destaque. A pesquisa, porém, foi alvo de questionamentos, chegou a ser suspensa pela Justiça Eleitoral e acabou envolvida em polêmicas.

Reinaldo busca respaldo para manter estratégia

Nos bastidores, Reinaldo Azambuja também conta com sinalizações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo as quais sua candidatura estaria definida e a escolha do segundo nome dependeria de avaliação por pesquisas.

Uma possibilidade discutida internamente seria acomodar Marcos Pollon como suplente em uma das chapas. A hipótese, no entanto, teria forte carga simbólica, já que o deputado já fez críticas duras a Reinaldo Azambuja, a quem chegou a chamar de “canalha” em embates políticos anteriores.

O PL poderá lançar apenas dois candidatos ao Senado por Mato Grosso do Sul. A estratégia inicial da legenda era construir uma dobradinha com nome de outro partido. Entre os nomes mais citados estava o senador Nelsinho Trad (PSD), mas o cenário mudou e o parlamentar acabou ficando mais isolado nas articulações.

Mesmo aparecendo em posição favorável em levantamentos eleitorais, Reinaldo Azambuja sabe que a disputa ao Senado costuma apresentar riscos. O caso do ex-governador Pedro Pedrossian é lembrado como exemplo nos bastidores. Em 2002, ele liderou pesquisas durante a campanha, mas acabou derrotado nas urnas, enquanto o então estreante Delcídio do Amaral conquistou uma das vagas.

Com esse histórico em vista, a direção regional do PL tende a tratar a segunda candidatura com cautela. A definição deverá passar por pesquisas, composição interna e avaliação do peso eleitoral de cada nome antes de qualquer anúncio oficial.


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