Campo Grande (MS), Terça-feira, 23 de Junho de 2026

Política / Violência

Técnica de radiologia acusa Magno Malta de agressão durante exame em hospital de Brasília

Profissional registrou boletim de ocorrência após atendimento no DF Star; senador nega lembrar de tapa e afirma ter sentido dor intensa durante o procedimento

01/05/2026

18:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

Uma profissional da área de saúde registrou boletim de ocorrência contra o senador Magno Malta (PL-ES) por suposta agressão durante atendimento no Hospital DF Star, em Brasília. O caso teria ocorrido na quinta-feira, 30 de abril, enquanto o parlamentar realizava exames após ser internado por mal-estar ao chegar ao Congresso Nacional.

Segundo o relato registrado na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a profissional afirma que foi atingida com um tapa no rosto e xingada de “imunda” e “incompetente” após um problema durante a aplicação de contraste em um exame de angiotomografia de tórax e coronariana. O hospital informou que abriu uma apuração administrativa e que presta suporte à colaboradora.

Atendimento ocorreu após internação do senador

Magno Malta foi internado na quinta-feira, 30 de abril, depois de apresentar um episódio de pressão baixa ao chegar ao Congresso Nacional. O senador pretendia participar da sessão que analisou e derrubou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da Dosimetria, proposta relacionada à revisão de penas aplicadas a condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Após passar mal, o parlamentar foi levado ao hospital para avaliação médica. Nas redes sociais, ele publicou um vídeo dizendo que estava bem e que havia feito uma tomografia.

Estou no hospital. Acabei de fazer uma tomografia e, graças a Deus, estou bem. Queria estar no plenário para me pronunciar, porque hoje é um dia muito importante. Mas estou bem. Vou voltar mais forte”, disse Magno Malta.

Profissional diz que agressão ocorreu após extravasamento de contraste

De acordo com o boletim de ocorrência, a profissional era responsável por conduzir o senador até a sala de exames, fazer a monitorização e iniciar os procedimentos necessários, incluindo o teste com soro para o acesso venoso.

Magno Malta teria reagido de forma agressiva, levantado do aparelho e dado um tapa em seu rosto quando ela se aproximou para prestar assistência.

Ainda conforme o relato, ao iniciar a injeção de contraste, o equipamento identificou uma oclusão e interrompeu automaticamente o procedimento. Ao verificar a situação, a profissional constatou que o contraste havia extravasado no braço do paciente.

A técnica relatou que explicou a necessidade de fazer compressão no local afetado. Nesse momento, segundo ela, Magno Malta teria reagido de forma agressiva, levantado do aparelho e dado um tapa em seu rosto quando ela se aproximou para prestar assistência.

A profissional afirmou ainda que a força da agressão chegou a entortar seus óculos. Após o episódio, ela deixou imediatamente a sala e chamou outros integrantes da equipe médica, incluindo uma enfermeira e um médico.

Vítima relatou dor, vermelhidão e medo de novo encontro

No registro feito à PCDF, a profissional informou que sentiu dor e apresentou vermelhidão no rosto após o ocorrido. Ela também declarou medo de encontrar novamente o senador.

O caso será investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal. A apuração deverá considerar o boletim de ocorrência, depoimentos, registros internos do hospital, eventuais imagens, prontuários e manifestações das partes envolvidas.

Hospital abre apuração interna e diz prestar suporte

Em nota, o Hospital DF Star informou que abriu uma apuração administrativa para verificar as circunstâncias do episódio. A unidade também afirmou que está prestando suporte à colaboradora que relatou ter sido vítima de agressão.

O hospital declarou ainda que está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários durante a investigação.

Senador alega falha técnica e diz ter sentido fortes dores

A versão apresentada por Magno Malta é diferente da relatada pela profissional. Em nota, o senador afirmou que houve uma falha técnica no acesso e disse ter alertado várias vezes que, em seu entendimento, o procedimento estava incorreto e provocava fortes dores.

A assessoria do parlamentar declarou que, diante da situação e da forma como teria sido tratado, ele deixou sozinho a sala de exames. O texto também afirma que o senador possui dificuldades de locomoção e poderia ter sofrido queda ou agravamento do quadro em razão da desorientação causada pelo episódio.

Questionado especificamente sobre o tapa relatado pela profissional, Magno Malta afirmou apenas que se recorda da dor intensa causada pelo extravasamento do contraste.

Em outra manifestação, o parlamentar afirmou que o episódio foi relatado à direção do hospital e à equipe médica. A nota também disse causar estranheza que a profissional tenha registrado sua versão dos fatos, classificando a atitude como defensiva diante da possibilidade de responsabilização pelo ocorrido.

Conselho de Enfermagem repudia o episódio

O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal informou que acompanha o caso e repudiou o episódio. A entidade declarou estar à disposição da profissional envolvida para oferecer o suporte necessário.

Em nota, o conselho afirmou que a atuação dos profissionais de saúde não pode ser marcada por violência e que nenhuma posição ou condição autoriza agressões. A entidade também orientou que situações desse tipo sejam formalmente registradas para adoção das medidas cabíveis pelos órgãos competentes.

Investigação deve esclarecer circunstâncias do atendimento

A investigação da PCDF deverá esclarecer se houve agressão, como ocorreu o atendimento dentro da sala de exames e quais medidas poderão ser adotadas a partir das provas reunidas.

Até a conclusão da apuração, o caso envolve três frentes principais: o relato da profissional registrado em boletim de ocorrência, a apuração administrativa aberta pelo Hospital DF Star e a versão apresentada pelo senador Magno Malta, que atribui o episódio a uma falha técnica e afirma lembrar apenas da dor intensa durante o exame.

A ocorrência ganha repercussão por envolver um parlamentar em exercício, uma profissional de saúde em ambiente hospitalar e um atendimento realizado no mesmo dia em que o Congresso Nacional analisava o veto presidencial ao PL da Dosimetria, pauta de grande interesse político para o senador.


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