Política / Partidária
Aécio diz que PSDB-MS vive nova fase após crise interna e cobra superação de impasses antigos
Presidente nacional da sigla afirma que acordos não foram respeitados, lamenta saída de lideranças e aposta na reorganização do partido em Mato Grosso do Sul
09/04/2026
08:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, afirmou que o partido atravessa um processo de reconstrução em Mato Grosso do Sul após uma fase marcada por tensões internas, rompimentos e mudanças no comando estadual da legenda. Ao comentar a saída de lideranças importantes do quadro tucano, ele mencionou a existência de acordos não cumpridos e defendeu que o partido deixe para trás os conflitos recentes para concentrar esforços na reorganização política no Estado.
Segundo Aécio, o diretório sul-mato-grossense foi impactado por um cenário de instabilidade justamente em período decisivo do calendário eleitoral. Mesmo assim, ele sustentou que a legenda pretende manter atuação firme no Estado, apesar das perdas registradas nos últimos meses. Ao falar sobre o momento vivido pela sigla, resumiu a posição com a frase de que “o que passou, passou”, sinalizando uma tentativa de encerrar o ciclo de disputas internas.
A crise ganhou força após a saída de deputados federais eleitos pelo partido, movimento que esvaziou a representação tucana em Mato Grosso do Sul. Havia, segundo o próprio contexto interno da legenda, um entendimento firmado em 2025 para que nomes como Beto Pereira, Geraldo Resende e Dagoberto Nogueira permanecessem no partido, em articulação que também envolvia o ex-governador Reinaldo Azambuja. Na prática, porém, esse arranjo não se sustentou.
O primeiro a deixar o partido foi justamente Beto Pereira, então presidente do diretório estadual. A saída ocorreu em meio a articulações conduzidas por Reinaldo Azambuja junto à direção nacional do Republicanos, movimento que alterou o eixo das negociações políticas no Estado. Com a abertura da janela partidária para as Eleições de 2026, a perda de quadros se intensificou e expôs de forma mais clara a fragilidade da estrutura tucana em solo sul-mato-grossense.
Até então, Mato Grosso do Sul era visto como um dos poucos estados em que o PSDB ainda preservava presença mais relevante no cenário nacional. O esvaziamento da bancada federal, no entanto, mudou esse quadro e obrigou a legenda a reestruturar seu comando regional.
Ao comentar o impacto da debandada, Aécio Neves reconheceu que o partido perdeu nomes de peso, mas evitou prolongar o tom de confronto. Disse lamentar o afastamento de quadros importantes em razão das circunstâncias eleitorais, ao mesmo tempo em que reforçou a disposição da legenda em seguir adiante. Na avaliação do dirigente, a história do partido no Estado e sua relação política com Mato Grosso do Sul permanecem como base para uma retomada.
O presidente nacional também ressaltou que, mesmo diante do enfraquecimento local, o PSDB continua maior do que seus integrantes individualmente e mantém responsabilidade política tanto com o Estado quanto com o país. Ele tentou sustentar a imagem de continuidade partidária ao lembrar que a federação PSDB-Cidadania ampliou sua representação na Câmara dos Deputados, passando de 17 para 20 parlamentares, ainda que a bancada sul-mato-grossense tenha sido zerada.
Dentro dessa estratégia de reconstrução, Aécio afirmou que a nova direção estadual terá a missão de iniciar uma nova etapa no partido em Mato Grosso do Sul, com foco em independência política e reorganização interna. Ele citou a chegada do deputado estadual Pedro Caravina ao comando do diretório regional e destacou a participação de parlamentares estaduais, prefeitos, vereadores e outras lideranças no processo de rearticulação. Também mencionou a ex-senadora Marisa Serrano, a quem se referiu como presidente de honra da legenda no Estado.
A nova composição do partido foi oficializada na quarta-feira, 8 de abril, com a formação da Comissão Provisória do Diretório Estadual. O deputado estadual Pedro Arlei Caravina assumiu a presidência do PSDB-MS, enquanto a vice-presidência ficou com Maria Imaculada Nogueira, a deputada estadual Lia Nogueira. Já o cargo de secretário-geral passou a ser ocupado pelo deputado estadual Paulo Roberto Duarte.
A executiva estadual também passou a contar com a ex-deputada federal Bia Cavassa, responsável pela 1ª secretaria, e com o vereador Juari Lopes Pinto, que assumiu a tesouraria. A formação do novo grupo dirigente marca a tentativa do partido de reconstruir sua base organizacional após o rompimento com parte dos antigos nomes de referência.
Ao final, Aécio Neves reforçou a identidade histórica do PSDB como partido de centro e disse que a legenda mantém distância dos extremos políticos. Ao recuperar nomes como Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e Franco Montoro, o dirigente procurou associar a nova fase do partido em Mato Grosso do Sul à tradição nacional tucana e à tentativa de reposicionamento em meio às transformações do cenário eleitoral brasileiro.
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