Política / Justiça
Careca do INSS ameaça citar políticos em possível delação após acordo de Camisotti com a PF
Lobista investigado teme assumir sozinho o peso do esquema dos descontos indevidos; empresário Maurício Camisotti já firmou colaboração premiada no âmbito da Operação Sem Desconto
10/04/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O avanço das investigações sobre a Operação Sem Desconto abriu uma nova frente de tensão entre personagens centrais do escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (10), o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, teria afirmado a um interlocutor que poderá revelar a participação de agentes políticos caso entenda que a delação do empresário Maurício Camisotti omita nomes ou tente concentrar sobre ele a responsabilidade principal pelo esquema.
A declaração atribuída ao lobista surge depois de Camisotti ter firmado acordo de delação premiada com a Polícia Federal, tornando-se o primeiro investigado da chamada farra do INSS a confessar a existência de fraudes no caso. De acordo com a apuração, os termos da colaboração já foram enviados ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que deverá analisar a legalidade e a validade jurídica do acordo.
Ainda conforme a reportagem, o Careca do INSS teme ser apontado como principal operador do esquema, enquanto eventuais beneficiários políticos seriam poupados na narrativa do delator. O texto menciona que ele cogita citar nomes ligados a partidos como PL, PDT e Republicanos, entre eles o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e até o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Até o momento, porém, essas referências aparecem no contexto da apuração jornalística e da investigação, e não como conclusões definitivas da Justiça.
O senador Weverton Rocha já havia aparecido em desdobramentos anteriores da investigação. Em dezembro de 2025, reportagem informou que a PF o apontou como suposto beneficiário final de operações financeiras ligadas ao esquema e que investigadores chegaram a pedir sua prisão, medida que não foi acolhida pelo ministro André Mendonça.
No centro da investigação, Maurício Camisotti é apontado pela Polícia Federal como um dos articuladores do esquema bilionário de descontos indevidos. Segundo a apuração, ele controlava entidades que se apresentavam como associações legítimas de aposentados, mas que teriam sido usadas para inserir cobranças sem autorização diretamente nos benefícios previdenciários. Essas entidades teriam movimentado R$ 580 milhões no último ano, valor que pode chegar a R$ 1 bilhão quando considerado o período desde 2021.
Além de Camisotti, também negociam acordos de colaboração o próprio Antonio Carlos Camilo Antunes, o ex-procurador-geral do instituto Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis. A avaliação nos bastidores é que a delação de Camisotti pode abrir uma nova fase da investigação, com potencial para esclarecer a cadeia de comando, o fluxo do dinheiro e a participação de intermediários, servidores e agentes externos no esquema.
A expectativa agora se concentra no conteúdo efetivo da colaboração premiada e nos possíveis reflexos políticos e judiciais do material entregue à PF e ao STF. Caso novos acordos avancem, a investigação pode ganhar ainda mais alcance e atingir outros nomes citados nos bastidores da operação.
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