Política / Justiça
Maurício Camisotti confessa fraudes no INSS e fecha primeira delação da Operação Sem Desconto
Empresário preso desde setembro firmou acordo com a Polícia Federal, que agora aguarda análise do ministro André Mendonça, do STF
09/04/2026
21:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O empresário Maurício Camisotti, investigado como um dos principais nomes do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, confessou a existência de fraudes e assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. A informação foi confirmada nesta semana, e o caso já foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para análise.
Segundo a apuração, a PF já colheu os depoimentos do empresário e enviou o acordo ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que deverá decidir sobre a homologação e a validade jurídica da colaboração. A delação é tratada como a primeira firmada no âmbito da Operação Sem Desconto, investigação que apura um esquema bilionário de cobranças irregulares sobre benefícios previdenciários.
De acordo com as investigações, Camisotti controlava três entidades envolvidas no esquema: a Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), a União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Unsbras) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap). Conforme a apuração, essas estruturas tinham como dirigentes formais funcionários e parentes de executivos ligados ao grupo empresarial do investigado.
As três entidades movimentaram, juntas, R$ 580 milhões apenas no último ano, mas o montante chega a mais de R$ 1 bilhão desde 2021, segundo os dados reunidos pela investigação. A suspeita é de que essas associações fossem usadas para operacionalizar os descontos indevidos aplicados sobre aposentadorias e pensões.
Preso preventivamente desde setembro de 2025, Maurício Camisotti ficou inicialmente detido na Penitenciária II de Guarulhos, em São Paulo. Em março de 2026, porém, foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, em meio ao avanço das negociações para o acordo de colaboração. A expectativa da defesa é de que a delação possa abrir caminho para um pedido de prisão domiciliar.
A investigação também aponta que outros nomes centrais do caso negociam acordos de colaboração, entre eles o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, além do ex-procurador-geral do instituto Virgílio Oliveira Filho e do ex-diretor de Benefícios André Fidelis. A avaliação é que a delação de Camisotti pode ajudar a esclarecer a cadeia de comando do esquema e o caminho do dinheiro dentro da estrutura investigada.
Com a delação já formalizada e à espera de homologação judicial, a Operação Sem Desconto entra em uma nova fase. A colaboração de Maurício Camisotti pode ampliar o alcance das apurações e provocar novos desdobramentos sobre um dos maiores escândalos recentes envolvendo fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
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