Campo Grande (MS), Sexta-feira, 20 de Março de 2026

Política / Eleições 2026

João Henrique deixa o PL, busca palanque próprio e tenta atrair ala bolsonarista para disputa ao governo de MS

Sem tempo de TV e sem fundo partidário, deputado do Novo intensifica articulações com lideranças da direita e repete movimento que já adotou na eleição estadual de 2022

20/03/2026

10:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O deputado estadual João Henrique Catan, agora no Novo, intensificou as articulações para viabilizar uma candidatura de oposição ao governo de Mato Grosso do Sul em 2026, mirando especialmente o grupo que se identifica como “bolsonarista raiz”. A movimentação ganhou força depois que ele deixou o PL, em meio ao realinhamento político provocado pelo apoio nacional do partido ao governador Eduardo Riedel (PP) no Estado.

Fora do PL, João Henrique perde a estrutura partidária que teria peso em uma eleição majoritária, como tempo de propaganda eleitoral e acesso ao fundo partidário, e por isso passou a investir em reuniões diárias com nomes da direita sul-mato-grossense para construir uma candidatura competitiva fora da sigla bolsonarista tradicional. A estratégia é tentar reproduzir, em outro formato, a lógica de 2022, quando, mesmo filiado ao PL, ele se alinhou politicamente à candidatura de Capitão Contar, então no PRTB, e não ao palanque oficialmente apoiado pelo partido.

Um dos primeiros movimentos foi a aproximação com o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), que confirmou publicamente que avalia renunciar ao cargo para participar da disputa estadual. Reportagens publicadas em 10 e 11 de março de 2026 apontam que há conversas sobre uma possível composição entre os dois, inclusive com a hipótese de Juliano disputar o governo ou integrar uma chapa com João Henrique como candidato a vice.

O deputado também tenta ampliar o diálogo com outros nomes da direita que ficaram desconfortáveis com a condução interna do PL em Mato Grosso do Sul. Nesse contexto, entram as conversas com Capitão Contar, que permanece no partido e tenta viabilizar sua própria candidatura, e com outras lideranças que orbitam o campo conservador no Estado. O pano de fundo é a disputa interna do PL após a aproximação entre o partido, Eduardo Riedel e o grupo de Reinaldo Azambuja, movimento que embaralhou o espaço político da ala mais ideológica da direita local.

No caso de Contar, o cenário é especialmente delicado porque ele continua filiado ao PL e ainda depende da definição partidária sobre quem representará o grupo nas eleições estaduais. Já João Henrique, ao migrar para o Novo, ganha autonomia discursiva para se apresentar como alternativa de oposição, mas assume o custo eleitoral de disputar sem a musculatura que teria em uma sigla maior. Essa combinação ajuda a explicar por que ele agora atua para convencer setores do bolsonarismo de que sua candidatura pode funcionar como ponto de convergência da direita fora do eixo oficial do partido.

A movimentação, portanto, revela mais do que uma troca de legenda: mostra uma tentativa de reorganizar o campo conservador em MS diante da divisão entre o bolsonarismo partidário e o bolsonarismo dissidente. Ao buscar apoio de lideranças locais e reeditar alianças improvisadas como as de 2022, João Henrique tenta transformar uma saída forçada do PL em plataforma para uma candidatura própria ao governo estadual.


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