Política / Saúde
Gleice Jane cobra início de obras de água em aldeias de Dourados e relaciona atraso à crise de chikungunya
Deputada encaminha requerimento ao governo estadual, questiona demora na execução do sistema de abastecimento e aponta impacto do armazenamento precário de água nas comunidades indígenas
19/03/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A deputada estadual Gleice Jane (PT) apresentou, na sessão desta quinta-feira, 19 de março de 2026, um requerimento ao governador Eduardo Riedel, ao secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, e ao diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio da Silva, pedindo esclarecimentos sobre o início e a execução das obras de abastecimento de água na Reserva Indígena de Dourados. Segundo a parlamentar, a demora na implantação do sistema contribui para agravar o cenário sanitário nas aldeias, hoje em meio ao avanço da chikungunya.
Na manifestação, Gleice Jane associa o aumento de casos de dengue e chikungunya à necessidade de armazenamento de água em recipientes improvisados, situação enfrentada por famílias que convivem com falhas no abastecimento regular. A deputada sustenta que, sem água encanada de forma contínua e sem reservação adequada, a população passa a depender de recipientes abastecidos por caminhão-pipa, o que pode favorecer criadouros do mosquito transmissor.
O quadro epidemiológico em Dourados aumentou a pressão sobre o tema. A prefeitura informou nesta semana que a Reserva Indígena soma 407 casos notificados de chikungunya, sendo 202 confirmados, 181 em investigação, 24 descartados e quatro óbitos registrados. O Ministério da Saúde também confirmou o reforço da atuação da Força Nacional do SUS na região para reorganização da assistência e ações de controle vetorial.
A cobrança da deputada ocorre em paralelo a um projeto já anunciado pelo governo estadual para enfrentar o problema histórico de abastecimento nas aldeias Jaguapiru e Bororó. Em 16 de janeiro de 2026, a Sanesul divulgou investimento superior a R$ 50 milhões para garantir água potável às comunidades, e órgãos estaduais informaram que as obras deveriam começar ainda no primeiro semestre de 2026, após emissão das ordens de serviço e conclusão dos trâmites técnicos iniciais.
Os anúncios oficiais indicam valores na faixa de R$ 50,7 milhões e preveem ampla estrutura de distribuição, com milhares de ligações domiciliares e expansão da rede para atender cerca de 20 mil a 30 mil moradores, conforme as diferentes divulgações institucionais e reportagens sobre o projeto.
Ao cobrar explicações, Gleice Jane afirma que os recursos federais destinados à obra já foram viabilizados e que falta, agora, a efetiva abertura do canteiro e o início da execução. Reportagens publicadas em janeiro registraram que o Estado já contava com o recurso em caixa, mas estimava entre quatro e seis meses entre os trâmites licitatórios e o começo dos trabalhos.
Com o requerimento, a deputada pressiona o Executivo a informar cronograma, estágio atual do processo e justificativas para a demora. O debate reforça a ligação entre infraestrutura básica e saúde pública, especialmente em um momento em que a situação da Reserva Indígena de Dourados passou a ser tratada como uma das mais sensíveis do Estado no enfrentamento à chikungunya.
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