Economia / Infraestrutura
Fundersul volta a superar R$ 1 bilhão em 2025, mas arrecadação ainda fica abaixo do pico de 2023
Fundo financiado pelo agronegócio cresce 8,5% após frustração em 2024 e reforça investimentos em rodovias e repasses aos municípios
18/02/2026
09:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Após registrar desempenho abaixo do esperado em 2024, o Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul) voltou a atingir patamar bilionário em 2025, com arrecadação de R$ 1,083 bilhão. O crescimento foi de 8,55% em relação ao exercício anterior, quando o fundo somou R$ 997,9 milhões.
O aumento absoluto foi de R$ 85,2 milhões, impulsionado principalmente pelas contribuições vinculadas às operações do agronegócio, base de sustentação financeira do fundo.
Do total arrecadado em 2025, R$ 1,049 bilhão tiveram origem nas contribuições diretas. Outros R$ 12,29 milhões vieram da outorga paga pela concessionária Way, responsável pela MS-306, e R$ 2,5 milhões da Way-112, que administra a MS-112 e trechos das BRs 158 e 536.
Apesar da recuperação, o resultado ainda está distante do recorde de 2023, quando a arrecadação alcançou R$ 1,31 bilhão, período em que o fundo chegou a registrar sobras financeiras, incluindo R$ 27 milhões oriundos de rendimentos de aplicações.
Embora o Fundersul não integre formalmente o Orçamento Geral do Estado, sua performance influencia a capacidade de investimento do governo. A recomposição das receitas em 2025 foi considerada estratégica diante da redução da arrecadação do ICMS sobre importação de gás natural, que pressionou o caixa estadual e levou à adoção de medidas de contenção de despesas.
Em 2025, o fundo encerrou o exercício com saldo de R$ 28,9 milhões. As despesas somaram R$ 1,054 bilhão, distribuídas da seguinte forma:
R$ 792 milhões aplicados diretamente pelo Governo do Estado em investimentos;
R$ 261 milhões repassados às prefeituras, valor correspondente a aproximadamente 25% do total desembolsado.
A maior parcela dos recursos foi direcionada à infraestrutura rodoviária:
R$ 311 milhões (30%) para implantação de pavimentação asfáltica;
21,75% do total arrecadado para manutenção e conservação de rodovias;
R$ 76 milhões (7,5%) para recapeamento;
R$ 45,8 milhões (4,5%) para revestimento primário (cascalhamento);
R$ 22,1 milhões (2,1%) para construção de pontes e viadutos.
Além das obras rodoviárias, o fundo também financiou R$ 61,1 milhões (6%) em obras urbanas, recurso aplicado diretamente pelo Estado, sem inclusão nos repasses municipais.
Em 2024, as despesas haviam totalizado R$ 978 milhões. Para 2026, o planejamento prevê desembolso de aproximadamente R$ 1,04 bilhão, distribuídos entre:
R$ 378,8 milhões para obras rodoviárias;
R$ 373 milhões para manutenção e conservação;
R$ 260 milhões em transferências aos municípios.
Criado em 1999, na gestão do então governador Zeca do PT, o Fundersul nasceu com a finalidade de financiar a manutenção de estradas rurais e rodovias estaduais. Ao longo dos anos, sua atuação foi ampliada para incluir obras urbanas em apoio às prefeituras.
A arrecadação decorre de contribuições vinculadas ao diferimento do ICMS em operações com produtos do setor primário, incluindo soja, milho, carne bovina e florestas plantadas, com destaque para a cadeia da celulose.
A retomada do patamar bilionário em 2025 sinaliza recuperação parcial do fundo, embora ainda distante do desempenho observado em 2023.
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