Campo Grande (MS), Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2026

Política / Eleições 2026

Racha no bolsonarismo em MS e possível afastamento de Michelle Bolsonaro ampliam incertezas para 2026

Disputa interna no PL e impasse sobre apoio ao grupo governista podem abrir espaço para candidatura própria da direita no Estado

17/02/2026

06:45

DA REDAÇÃO

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A indefinição no campo conservador de Mato Grosso do Sul ganhou novos contornos diante de informações que apontam possível distanciamento de Michelle Bolsonaro da articulação direta da campanha de Flávio Bolsonaro. O cenário tem potencial para influenciar o equilíbrio interno do PL no Estado e, consequentemente, favorecer uma candidatura alternativa da direita em 2026.

O grupo identificado como “bolsonarista raiz” ainda aposta na repetição do movimento político observado em 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) formalizou aliança com o grupo governista, mas manteve interlocução com Capitão Contar, contribuindo para levá-lo ao segundo turno.

Hoje, os deputados Marcos Pollon (PL) e João Henrique Catan (PL) defendem estratégia semelhante. Ambos demonstram resistência à aproximação do PL com o núcleo ligado ao ex-governador Reinaldo Azambuja, que recentemente se filiou ao partido sob a expectativa de consolidar apoio ao governador Eduardo Riedel.

Pressão interna no PL

A filiação de Reinaldo Azambuja ocorreu sob promessa de alinhamento entre o grupo estadual e a cúpula nacional do partido. No entanto, setores históricos da legenda, que sempre atuaram como oposição ao PSDB, têm manifestado resistência à composição.

Azambuja chegou a se reunir com o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, para cobrar cumprimento do acordo político. Segundo interlocutores, houve sinalização de intervenção da direção nacional para pacificar o diretório estadual, mas a tarefa é considerada complexa diante da insatisfação interna.

A estratégia nacional envolve fortalecer o palanque para Flávio Bolsonaro, mas a ausência de engajamento ativo de Michelle Bolsonaro — caso se confirme — pode reduzir a capacidade de mobilização do grupo.

Efeito Michelle e possível migração partidária

No cenário local, Marcos Pollon mantém relação próxima com Michelle, que foi madrinha de seu casamento. Aliados avaliam que eventual apoio dela poderia impulsionar uma candidatura alternativa, reproduzindo a dinâmica eleitoral de 2022.

Caso não obtenham espaço dentro do PL, Pollon e João Henrique Catan estudam filiação ao Novo, partido que tem sido destino de lideranças conservadoras insatisfeitas com acordos conduzidos pela direção nacional liberal. Catan também mantém diálogo com o PRD, onde há abertura para eventual candidatura ao governo.

O prazo impõe pressão: a janela partidária se encerra em 4 de abril, limite para definição de mudança de legenda. Além da escolha partidária, o grupo precisará definir liderança e estratégia eleitoral.

Disputa por protagonismo

João Henrique tem reiterado publicamente que não aceitará imposições que inviabilizem uma “candidatura legítima de direita” e afirma que buscará até o último momento viabilizar projeto próprio dentro do PL.

Já Pollon recebeu convite formal do Novo e avalia cenários. O tempo reduzido para decisão e a fragmentação interna podem redefinir o tabuleiro eleitoral em Mato Grosso do Sul.

A depender do grau de envolvimento de Michelle Bolsonaro e da condução política de Valdemar da Costa Neto, o Estado pode assistir à consolidação de uma candidatura governista unificada ou à repetição de um cenário de divisão estratégica que favoreça o avanço de uma oposição interna no campo conservador.


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