Campo Grande (MS), Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2026

Política / Eleições 2026

Vander Loubet afirma que enredo sobre Lula na Sapucaí não configura propaganda antecipada

Deputado sustenta que samba-enredo representa homenagem cultural e não contém pedido explícito de voto, requisito previsto na legislação eleitoral

17/02/2026

08:45

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O deputado federal por Mato Grosso do Sul, Vander Loubet (PT), afirmou que o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado no último domingo (15), não configura propaganda eleitoral antecipada, mesmo tendo como tema a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A manifestação ocorre após críticas de parlamentares e partidos de oposição que anunciaram intenção de acionar a Justiça contra o desfile, apresentado na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.

Segundo Vander, a caracterização de propaganda antecipada exige a presença de pedido explícito de voto ou de apoio eleitoral. “Propaganda antecipada envolve pedido de voto. Isso não está presente no samba. O enredo é uma homenagem e trata da exaltação de qualidades pessoais, algo permitido pela legislação eleitoral”, declarou.

O parlamentar acrescentou que juristas consultados têm defendido entendimento semelhante, destacando que manifestações culturais e artísticas não configuram, por si só, irregularidade eleitoral.

O enredo

A apresentação da Acadêmicos de Niterói teve como tema “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O desfile retratou a trajetória do presidente desde a saída de Pernambuco, sua atuação sindical e a chegada ao Palácio do Planalto.

O espetáculo ocorreu em meio às discussões políticas sobre o cenário eleitoral de 2026, quando Lula poderá disputar novo mandato.

Reações e possíveis ações judiciais

Partidos e lideranças da oposição informaram que pretendem ingressar com pelo menos 12 ações judiciais relacionadas ao desfile. Segundo levantamento divulgado pela CNN, as representações poderão alegar:

  • Suposta propaganda eleitoral antecipada;

  • Abuso de poder político;

  • Abuso de poder econômico;

  • Uso indevido de recursos públicos;

  • Eventual preconceito religioso.

Algumas ações, conforme anunciado por oposicionistas, deverão ser protocoladas após eventual registro formal de candidatura do presidente para as eleições de 2026.

Debate jurídico

A controvérsia reacende debate recorrente sobre os limites entre manifestação cultural e promoção política. Pela legislação eleitoral, a propaganda antecipada é caracterizada principalmente quando há pedido explícito de voto ou menção direta à candidatura.

O caso deverá ser analisado à luz do entendimento consolidado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, se judicializado, poderá servir de parâmetro para futuras manifestações artísticas envolvendo figuras públicas em período pré-eleitoral.


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