Campo Grande (MS), Quarta-feira, 04 de Fevereiro de 2026

Saúde

Após sete anos de tratamento, jovem supera dois tipos de câncer e celebra recomeço

No Dia Mundial de Combate ao Câncer, estudante de medicina recebeu homenagem de familiares, amigos e profissionais que integraram rede de apoio

04/02/2026

18:15

DA REDAÇÃO

Após sete anos de tratamento contra dois tipos de câncer, jovem toca sino da cura e celebra alta médica

Após sete anos de luta contra dois tipos de câncer, a estudante de medicina Maria Eduarda Gonçalves, de 26 anos, viveu um dos momentos mais marcantes de sua vida nesta quarta-feira (4). Justamente no Dia Mundial de Combate ao Câncer, ela recebeu alta médica, tocou o sino da cura — gesto simbólico que representa o encerramento do tratamento — e foi surpreendida por uma homenagem organizada por familiares, amigos e profissionais da segurança pública que fizeram parte de sua rede de apoio durante todo o processo.

O momento aconteceu na saída do hospital e reuniu dezenas de pessoas que acompanharam de perto a trajetória da jovem desde o primeiro diagnóstico, em 2019, quando Maria tinha 19 anos e descobriu uma leucemia. Foram cinco anos de tratamento intenso, com 16 sessões de quimioterapia, além de três anos de quimioterapia oral, até alcançar a remissão da doença.

Novo diagnóstico durante a recuperação

Quando se aproximava da alta definitiva da leucemia, um novo desafio surgiu. Em 2024, Maria Eduarda foi diagnosticada com câncer de tireoide.
“Antes de receber alta da leucemia, eu descobri que tinha câncer de tireoide. Foi um choque, porque eu achava que aquela fase estava encerrada”, relembra.

O tratamento incluiu duas cirurgias e iodoterapia. Mesmo após ter enfrentado a quimioterapia anos antes, o medo voltou a fazer parte da rotina. “Seria mentira dizer que não senti medo. Foram emoções muito intensas durante todo esse processo”, afirma.

Maria ao lado da mãe, Carla Bernal. (Foto: Juliano Almeida)

Força, fé e propósito

Ao longo do tratamento, Maria diz ter descoberto uma força que não imaginava possuir. “Eu me descobri uma pessoa muito forte, com muita vontade de viver. Depois da ciência, eu me agarrei muito à fé. Acredito que tudo tem um propósito, mesmo quando a gente não consegue entender naquele momento”, relata.

Segundo ela, a fé foi fundamental para atravessar os períodos mais difíceis. “Eu sabia que, no final, Deus estava me guardando para algo maior”, completa.

Rede de apoio foi decisiva

Durante toda a jornada, o apoio de familiares e amigos foi essencial, especialmente nas campanhas de doação de sangue, fundamentais para sua recuperação. Entre os doadores estiveram guardas municipais, policiais civis, militares, rodoviários e federais, bombeiros e agentes do Samu.

“Quando eu estava internada, precisei de doação de sangue. As pessoas que estão aqui hoje são aquelas que doaram para mim ao longo do tratamento. Eu não sei quantas bolsas foram, mas sei que o sangue deles corre nas minhas veias. Eu só estou aqui porque eles separaram um tempo da vida deles para ajudar. A cura não se alcança sozinha”, destacou.

Um novo começo

Maria Eduarda recebeu alta definitiva da leucemia, após cumprir o período crítico de cinco anos sem recidiva. Em relação ao câncer de tireoide, seguirá em acompanhamento médico contínuo, conforme o protocolo clínico.

Para ela, tocar o sino teve um significado especial. “Foi anunciar para mim mesma que passou e que está tudo bem agora. Eu não sei como será o amanhã, mas o hoje está maravilhoso”, concluiu.

A história de Maria Eduarda se soma a milhares de relatos que reforçam a importância do diagnóstico precoce, do tratamento contínuo, da solidariedade e da rede de apoio no enfrentamento ao câncer.

 


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