Saúde / Bem-Estar
Calor extremo sobrecarrega o coração e eleva risco de infarto e AVC no Brasil
Altas temperaturas afetam a pressão arterial, aumentam a frequência cardíaca e exigem atenção redobrada de idosos e pacientes crônicos
10/01/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O avanço das ondas de calor no Brasil tem ampliado um alerta importante para a saúde pública: o impacto direto das altas temperaturas sobre o sistema cardiovascular. Em dias muito quentes, o organismo entra em modo de compensação térmica, forçando o coração a trabalhar mais para manter o equilíbrio da temperatura corporal, o que pode elevar o risco de mal-estar, arritmias, infarto e acidente vascular cerebral (AVC) — especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.
Segundo especialistas, o corpo humano reage ao calor promovendo uma dilatação dos vasos sanguíneos, o que reduz a pressão arterial e exige uma resposta acelerada do coração para manter a circulação adequada.
Quando a temperatura sobe, o organismo ativa a vasodilatação periférica, principalmente na pele, para dissipar o calor. Esse processo diminui a resistência dos vasos e provoca queda da pressão arterial.
“O organismo tenta compensar essa queda acelerando os batimentos cardíacos para manter o fluxo adequado de sangue”, explica o cardiologista Fernando Ribas, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Em pessoas saudáveis, o sistema de compensação costuma funcionar. Porém, em indivíduos com doenças cardiovasculares, esse mecanismo pode falhar, levando a tontura, fraqueza, escurecimento da visão e sensação de desmaio.
O suor é fundamental para resfriar o corpo, mas também elimina água e eletrólitos essenciais, como sódio e potássio.
“A desidratação reduz o volume sanguíneo, acelera o coração para compensar e prejudica a perfusão dos órgãos”, explica Bruno Sthefan, cardiologista e médico do esporte, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
A perda desses minerais também compromete o sistema elétrico do coração, aumentando o risco de arritmias, sobretudo em pessoas com doenças cardíacas pré-existentes.
Embora o frio seja mais associado a infartos, ondas prolongadas de calor também aumentam o risco cardiovascular, segundo estudos recentes.
“O calor impõe um estresse adicional ao sistema cardiovascular. A desidratação, a queda de pressão e o desequilíbrio de eletrólitos criam um cenário propício para infartos e AVCs”, afirma o neurocirurgião Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema.
Os especialistas alertam que alguns grupos são especialmente vulneráveis ao calor:
Idosos, que sentem menos sede
Pessoas com hipertensão, diabetes ou insuficiência cardíaca
Quem já teve infarto ou AVC
Atletas e trabalhadores expostos ao sol
Pacientes que usam diuréticos e anti-hipertensivos também correm mais risco.
“Esses medicamentos favorecem a perda de líquidos e podem potencializar quedas de pressão”, alerta Fernando Ribas.
⚠️ A orientação médica é clara: não suspender nem ajustar medicamentos sem orientação profissional.
Procure atendimento médico imediato se houver:
Desmaio
Dor no peito
Palpitações persistentes
Falta de ar fora do habitual
Confusão mental, especialmente em idosos
No calor, o coração precisa irrigar músculos e pele simultaneamente, elevando o esforço cardíaco.
“Isso aumenta o risco de exaustão térmica e arritmias”, explica Orlando Maia.
Especialistas recomendam:
Beber água regularmente ao longo do dia
Repor eletrólitos quando o suor for intenso
Evitar álcool e excesso de cafeína
Usar roupas leves e claras
Fazer pausas frequentes
Buscar ambientes ventilados ou climatizados
Evitar o sol forte entre 10h e 16h
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