Política Internacional
China critica ação dos EUA e diz que não aceitará que países “se coloquem como juízes do mundo”
Declaração do chanceler Wang Yi ocorre após prisão de Nicolás Maduro e reforça oposição chinesa a ações unilaterais e uso da força
05/01/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou nesta segunda-feira que Pequim “não aceitará que nenhuma nação se coloque como juíza do mundo”, em reação à prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma operação conduzida pelos Estados Unidos.
Segundo Wang Yi, o atual cenário internacional é “cada vez mais turbulento e complexo”, marcado por práticas de unilateralismo, uso da força e o que classificou como abuso hegemônico nas relações internacionais.
“A China se opõe de forma consistente ao uso ou à ameaça do uso da força e à imposição da vontade de um Estado sobre outros países”, afirmou o chanceler, sem citar diretamente Washington.
Durante o pronunciamento, Wang Yi destacou que a China está disposta a atuar em conjunto com a comunidade internacional — “incluindo o Paquistão” — para defender a Carta das Nações Unidas, preservar o que chamou de “linha mínima da moral internacional” e promover a construção de uma “comunidade de destino comum da humanidade”, conceito central da diplomacia chinesa.
A declaração reforça a posição histórica de Pequim contra intervenções militares unilaterais e em defesa do multilateralismo como base da ordem internacional.
Em meio à escalada de tensões, Taiwan informou que acompanha “com muita atenção” a situação política, econômica e social da Venezuela. Em comunicado citado pela agência EFE, o governo taiwanês afirmou monitorar os desdobramentos internos e internacionais do caso.
O Executivo taiwanês mencionou preocupações com o que chamou de “regime ditatorial venezuelano”, citando denúncias de envolvimento com o narcotráfico e a crise humanitária atribuída ao governo de Caracas. O país também declarou desejar que a Venezuela “transite pacificamente para um sistema democrático” e manifestou interesse no desenvolvimento de relações bilaterais no futuro.
No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão detidos no Metropolitan Detention Center, no bairro do Brooklyn, em Nova York.
Segundo Trump, o ex-presidente venezuelano aguardará julgamento por diversos crimes, incluindo narcoterrorismo, o que ampliou a repercussão diplomática do caso e provocou reações de governos e lideranças políticas em diferentes regiões do mundo.
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