Campo Grande (MS), Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026

Política Internacional

Trump ameaça presidente interina da Venezuela e fala em “preço alto” se país não atender exigências dos EUA

Governo americano afirma que avaliará ações da nova liderança em Caracas antes de qualquer aproximação diplomática

04/01/2026

17:00

DA REDAÇÃO

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (4) que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, poderá “pagar um preço muito alto” caso não adote medidas consideradas corretas pelo governo norte-americano.

Em entrevista telefônica à revista The Atlantic, Trump foi direto ao comentar a nova liderança venezuelana.

“Se não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, declarou o presidente dos EUA.

A fala reforça o tom de pressão adotado por Washington após a decisão do Tribunal Supremo venezuelano que determinou que Delcy Rodríguez assumisse a presidência interina, depois da captura de Nicolás Maduro.

Avaliação das ações do novo governo

Mais cedo, em entrevista à emissora CBS News, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo americano irá avaliar cuidadosamente as decisões da nova liderança em Caracas antes de qualquer tentativa de aproximação.

“Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem. Se não tomarem as decisões certas, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de pressão para garantir a proteção dos nossos interesses”, disse Rubio, no programa Face the Nation.

Segundo o chefe da diplomacia americana, Washington não trabalha com a hipótese de diálogo com Nicolás Maduro, a quem classificou como alguém que “nunca respeitou acordos firmados”.

Pressão militar e bloqueio econômico

Questionado sobre a possibilidade de envio de tropas americanas à Venezuela, Rubio afirmou que o tema costuma gerar especulações, mas não descartou completamente essa opção. Ele destacou, no entanto, que os EUA mantêm uma estratégia de “quarentena militar” na região.

De acordo com o secretário, essa política busca impedir a circulação de petroleiros sujeitos a sanções americanas, como forma de pressionar o novo governo venezuelano.

“Essa medida representa uma enorme pressão que continuará existindo até que vejamos mudanças, não apenas para proteger os interesses dos Estados Unidos, mas também para levar a um futuro melhor para o povo da Venezuela”, afirmou.

Petróleo no centro da estratégia

Rubio também ressaltou que a recuperação da indústria petrolífera venezuelana depende de investimentos privados, o que exigiria garantias políticas e jurídicas.

“Eles não têm capacidade de reativar essa indústria sozinhos. Precisam de investimento externo, e isso só ocorrerá sob certas condições”, disse.

Segundo informações do The New York Times, Delcy Rodríguez teria causado boa impressão em setores do governo Trump por sua atuação na gestão das reservas de petróleo da Venezuela. Intermediários teriam sinalizado a Washington que a presidente interina estaria disposta a proteger futuros investimentos energéticos americanos no país.

Após um colapso econômico severo entre 2013 e 2021, Delcy liderou reformas consideradas favoráveis ao mercado, com privatizações e política fiscal mais conservadora, o que teria ajudado a dar sinais de estabilidade antes da ofensiva militar que resultou na captura de Maduro.

Eleições ficam em segundo plano

Durante a entrevista, Marco Rubio também afirmou que discutir eleições na Venezuela é, neste momento, “prematuro”. Segundo ele, o foco dos Estados Unidos está na implementação de mudanças políticas imediatas pela nova liderança.

“O que nos interessa agora são os problemas que existiam quando Maduro estava no poder. Eles ainda precisam ser resolvidos. Vamos dar tempo para que esses desafios sejam enfrentados”, concluiu.


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