Política Nacional
Lula afirma que vai vetar PL da Dosimetria e diz que condenados pelo 8 de Janeiro “terão que pagar”
Presidente critica redução de penas antes do fim dos julgamentos e reforça defesa da democracia
18/12/2025
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (18) que vetará integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado pelo Senado, que prevê a redução de penas para condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado. A declaração foi dada durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto.
Segundo Lula, a proposta representa uma tentativa de minimizar crimes graves contra a democracia brasileira antes mesmo do encerramento dos julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF).
“As pessoas que cometeram crime contra a democracia brasileira terão que pagar pelos atos cometidos contra esse país. Nem terminou o julgamento, ainda tem gente sendo condenada, e o pessoal já resolve diminuir as penas. A hora que chegar na minha mesa, eu vetarei”, afirmou o presidente.
Lula ressaltou que respeita o papel do Congresso Nacional, mas destacou que o veto presidencial também é uma prerrogativa constitucional.
“O Congresso tem o direito de fazer as coisas, eu tenho o meu direito de vetar, depois eles têm o direito de derrubar o meu veto ou não. É assim que é o jogo”, completou.
O presidente também defendeu que o processo judicial avance para além dos executores diretos dos atos golpistas, alcançando os financiadores e articuladores.
“Nós precisamos levar muito a sério o que aconteceu no dia 8 de janeiro de 2023. Tem gente que quer que a gente esqueça, mas a gente não pode esquecer. Se a democracia esquecer da importância que ela tem para uma nação, a gente termina perdendo o jogo”, declarou.
O PL da Dosimetria foi aprovado pelo Senado Federal na quarta-feira (17), em votação nominal, com 48 votos favoráveis e 25 contrários. O texto agora segue para a sanção presidencial.
Antes disso, a proposta havia sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com parecer do senador Esperidião Amin (PP-SC), defensor da anistia e que sustenta que a redução de penas teria como objetivo “pacificar o país”.
Parlamentares contrários ao projeto afirmam que o texto não reflete o anseio da sociedade e foi construído para beneficiar um grupo político específico, envolvido em ataques às instituições democráticas.
O projeto altera a forma de cálculo das penas para os crimes de:
Tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito
Golpe de Estado
Quando praticados no mesmo contexto, o PL determina a aplicação apenas da pena mais grave, e não a soma das duas, como ocorre atualmente. O texto também:
Recalibra penas mínimas e máximas
Altera critérios de dosimetria penal
Reduz o tempo para progressão do regime fechado para semiaberto ou aberto
Caso fosse sancionado, o projeto poderia beneficiar réus investigados ou condenados no STF, entre eles:
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil
Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)
Também nesta quinta-feira, as bancadas do PT, PSB, PCdoB e PSOL na Câmara dos Deputados impetraram mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal, pedindo a suspensão da tramitação do projeto, sob o argumento de que ele afronta princípios constitucionais e o combate aos crimes contra a democracia.
As declarações foram feitas durante um café da manhã com jornalistas, seguido de coletiva, no Palácio do Planalto. Lula esteve acompanhado dos ministros:
Fernando Haddad (Fazenda)
Rui Costa (Casa Civil)
Mauro Vieira (Relações Exteriores)
Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima)
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