Política / Partidos
Simone Tebet rebate diretório do MDB e Puccinelli: “Se quisesse, o partido seria meu em MS”
Ministra do Planejamento afirma que mantém preferência por Mato Grosso do Sul, mas Lula pediu para manter aberta a possibilidade de disputar o Senado por São Paulo
28/11/2025
12:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, voltou a ocupar o centro das articulações políticas nacionais ao comentar, em entrevista, sua relação com o MDB de Mato Grosso do Sul, a pressão interna para que concorra ao Senado por São Paulo e as disputas envolvendo o ex-governador André Puccinelli. Cotada pelo PSB e cotista importante do governo Lula 3, Tebet reforçou que sua ligação emocional e política permanece com seu Estado, mas admitiu que mantém em aberto a possibilidade de concorrer pela maior unidade da federação, atendendo a um pedido direto do presidente.
Ao rebater tensões internas no MDB sul-mato-grossense, a ministra foi taxativa:
“O partido em Mato Grosso do Sul, se quisesse, era meu — mas não é isso. A Executiva Nacional disse: ‘Você quer o partido?’ E eu respondi: ‘Não. Eu não sei ser presidente de partido. Não quero. Os companheiros estão lá, tocam o dia a dia, e tenho carinho enorme por eles’.”
A declaração responde a movimentações de lideranças da sigla no Estado, que preferem que Tebet dispute o Senado por São Paulo para evitar embates locais com Puccinelli. A ministra, porém, garante que ninguém no MDB-MS teria legitimidade para barrar sua candidatura, caso decida concorrer em Mato Grosso do Sul.
“Não precisava nem o Baleia (Rossi) dizer que a vaga é minha. O Moka disse: ‘Vai ter sua vaga’. O que acontece é que meus companheiros não querem subir no meu palanque se eu estiver pedindo votos para o Lula — e está tudo certo. Porque eu vou pedir mesmo.”
Simone Tebet reconheceu que Lula tem insistido para que ela mantenha aberta a porta para o Senado em São Paulo, onde pesquisas recentes a colocam com alta competitividade eleitoral.
Segundo Tebet, o próprio presidente ponderou que, por ter “recall nacional”, poderia ajudar mais o governo se disputasse em um colégio eleitoral estratégico.
“Ele pediu: ‘Não feche as portas por enquanto’. Eu reafirmei minhas raízes em Mato Grosso do Sul, e ele insistiu para que eu aguardasse.”
A decisão final deve ocorrer entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, quando Lula pretende reorganizar os palanques e resolver pendências estratégicas para 2026.
A ministra confirmou que foi procurada pelo PSB, por intermédio da deputada Tabata Amaral e do prefeito do Recife, João Campos, presidente nacional da legenda. Apesar do convite, ela sinalizou que uma migração é “difícil”.
“Sou sul-mato-grossense, tenho história, raízes e quase 30 anos de vida pública. Se eu for candidata no Mato Grosso do Sul, será pelo MDB — e ponto.”
Tebet evitou ampliar tensões com o ex-governador André Puccinelli, mas apontou um paradoxo no discurso antipetista do correligionário:
“O eleitorado do André é lulista. O voto dele vem sobretudo dos bairros de Campo Grande, e ali o Lula sempre teve cerca de um terço do eleitorado.”
Ela também recordou que Puccinelli iniciou sua trajetória política pelas mãos de seu pai, o ex-senador Ramez Tebet.
A ministra destacou uma série de conquistas recentes para o Estado, que, segundo ela, só foram possíveis pela interlocução direta entre o governo federal e o Planejamento:
Estadualização e futura duplicação de BRs, incluindo trechos estratégicos;
Avanços na autorização da nova ferrovia, conectando MS ao eixo sudeste;
Recursos a fundo perdido e verbas do FOCEM para obras em Ponta Porã, Corumbá e Amambai;
Inauguração do Hospital Regional de Dourados, marcada para 20 de dezembro;
Implantação, em 2026, de uma UTI inteligente em Dourados, parte de um projeto nacional com tecnologia chinesa financiada pelo Banco dos BRICS.
Simone Tebet afirmou que a nova lei do Imposto de Renda — que ampliou a faixa de isenção para até R$ 5 mil — beneficiará a maior parte da população do Estado.
“A maioria absoluta da população sul-mato-grossense ficará isenta. Essa é a média salarial do funcionalismo.”
Ela defendeu que a reforma corrige distorções históricas que penalizavam a classe média e reforçou que o futuro debate eleitoral deve incluir isenção total até R$ 7 mil.
Segundo a ministra, não há entraves para a renegociação da dívida de Mato Grosso do Sul com a União. O Estado, afirmou Tebet, cumpre todos os requisitos fiscais e está apto a novos financiamentos.
Tebet informou que o corredor logístico, que conectará Mato Grosso do Sul ao Oceano Pacífico por meio do Paraguai, deve iniciar operações a partir de meados de 2026.
Ela explicou que o “beijo” da ponte — a junção estrutural final — está previsto para maio, permitindo autorizações excepcionais de passagem antes mesmo da conclusão total da obra.
O governo brasileiro ainda assinou com a China um memorando para o estudo completo de uma ferrovia bioceânica, com 6 mil km, a ser entregue gratuitamente em 2026.
A ministra afirmou que o caso de Antônio João criou uma jurisprudência que pacifica o caminho para indenizações, mas que a resolução definitiva depende de orçamento adequado e de decisões complementares do STF.
Ela avalia que entre 12 e 14 áreas precisarão de solução em MS, principalmente na região de Dourados, onde se concentram os focos mais urgentes.
“Todos estão cansados do impasse. O caminho já foi aberto; a porteira, escancarada. O desafio é o valor das indenizações.”
Simone Tebet concluiu que sua decisão eleitoral — disputar o Senado por MS ou SP — será tomada em consenso com Lula:
“Disse a ele que não estou preocupada em ganhar ou perder. Faço parte de um projeto de país.”
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