Economia & Negócios
CNPJ Alfanumérico será lançado em 2026 com promessa de reduzir burocracia e ampliar segurança fiscal
Novo formato deve facilitar abertura de empresas, integração de sistemas e combate a fraudes em todo o país
07/11/2025
19:00
DA REDAÇÃO
A Receita Federal confirmou para 1º de julho de 2026 o lançamento do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) Alfanumérico, que trará letras e números na identificação das empresas. A medida — que já vinha sendo estudada antes da reforma tributária — foi acelerada pelas mudanças no sistema tributário nacional e deve marcar uma das maiores atualizações cadastrais do país.
Segundo o órgão, o novo modelo vai reduzir a burocracia, diminuir encargos para as empresas, ampliar a fiscalização e aumentar a segurança jurídica por meio da integração entre os sistemas federal, estadual e municipal.
O CNPJ Alfanumérico manterá os 14 caracteres atuais, mas com a inclusão de letras e números aleatórios, gerados pelo sistema da Receita.
Validade: os CNPJs atuais continuarão válidos;
Aplicação: o novo formato valerá apenas para novas inscrições (inclusive filiais);
Compatibilidade: as empresas precisarão atualizar seus sistemas internos para reconhecer o novo padrão.
A mudança foi motivada pelo esgotamento dos números disponíveis, especialmente em setores como bancos e igrejas, que possuem muitas filiais e agências. O formato alfanumérico multiplicará em mais de 30 vezes a capacidade de emissão, chegando a 3 trilhões de combinações possíveis.
De acordo com Rériton Weldert Gomes, coordenador-geral de Cadastros da Receita Federal, o impacto será mínimo e de baixo custo:
“A adequação não é de layout, mas apenas de leitura do campo que agora poderá conter letras. É uma atualização simples, sem taxa adicional ou contato direto da Receita.”
Empresas que não atualizarem seus softwares poderão ter dificuldades para emitir notas fiscais ou registrar novos fornecedores que utilizem o formato alfanumérico.
A chave Pix vinculada ao CNPJ continuará válida, sem necessidade de alteração.
Redução da burocracia na abertura e regularização de empresas;
Integração dos cadastros federal, estadual e municipal;
Melhoria no combate a fraudes e irregularidades fiscais;
Simplificação de processos para empreendedores e contadores;
Aumento da transparência e rastreabilidade das operações.
O subsecretário Gustavo Andrade Manrique afirmou que o projeto representa “uma mudança de cultura na Receita”, ao substituir múltiplos cadastros por um identificador único nacional, reduzindo sobreposição e simplificando a vida do empresário.
O dígito verificador (DV) continuará sendo calculado pelo método Módulo 11, mas agora com base em valores da tabela ASCII, que define equivalências entre letras e números para leitura por sistemas de informática.
Exemplo:
A = 17
B = 18
C = 19
... e assim por diante.
As letras não terão relação com o estado, atividade ou tipo jurídico da empresa — serão totalmente aleatórias.
O Brasil já possui 65 milhões de CNPJs emitidos, sendo 35 milhões ativos. A reforma tributária consolidou o CNPJ como identificador único das empresas, o que ampliará ainda mais a demanda por novas inscrições.
Para a Receita, a transição marca “o início de uma nova era de interoperabilidade”, com dados integrados em um ambiente único nacional — reduzindo falhas, duplicidades e fraudes.

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