Campo Grande (MS), Sexta-feira, 03 de Abril de 2026

POLÍTICA

Bolsonaro demora mais de uma semana para receber Tereza e Ciro, isolando PP na briga por Prefeitura

11/07/2024

09:55

CONECTEMS

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A senadora Tereza Cristina (PP-MS) saiu isolada, ao menos no cenário político em Campo Grande, após ser recebida ontem (10), junto com o colega também senador Ciro Gomes, presidente nacional do PP, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, na sede do PL, em Brasília (DF).

Em vídeo gravado após a reunião, a senadora disse que os três conversaram sobre política de Mato Grosso do Sul. “Quero aqui afirmar para que não fique nenhum tipo de dúvida: o PP tem um projeto para Mato Grosso do Sul e para a nossa Capital. Nós estamos firmes junto da nossa prefeita Adriane Lopes, que vem fazendo um trabalho excepcional. Prefeita Adriane, estamos juntas”, disse.

A senadora Tereza Cristina só não reproduziu o que ouviu do ex-presidente Bolsonaro sobre a decisão irrevogável do PL em apoiar a candidatura do deputado federal Beto Pereira (PSDB), em um gesto claro de ampliar o poder da sigla em um dos estados com maior eleitorado bolsonarista do país.

Juntas, Tereza e a atual prefeita da Capital, Adriane Lopes, não podem oferecer ao PL um projeto de poder, capaz de manter viva e acesa a chama do bolsonarismo e do próprio partido em Mato Grosso do Sul.

A senadora foi ao encontro de Bolsonaro já sabendo da decisão do ex-chefe, mas a maneira pouco cômoda como se mostrou no vídeo, demonstrou que talvez mantivesse um resquício de esperança em escutar de Bolsonaro que honraria o acordo de apoio do PL e, do próprio, à candidatura de Adriane, que teria sido firmado – obviamente antes das articulações e da recente reunião entre Bolsonaro, o ex-governador Reinaldo Azambuja e o governador Eduardo Riedel em Brasília, enquanto Tereza estava nos Estados Unidos.

No mais clássico estilo São Tomé, a senadora Tereza Cristina colocou-se na posição de que precisava ouvir e ver para crer – o que ficou claro ao gravar o depoimento em vídeo para não anunciar o que todos já sabiam, mas apenas para confirmar e manter seu apoio à candidatura Adriane Lopes.

A costura política entre o PL de Valdemar Costa Neto e do ex-presidente Bolsonaro com o PSDB de Reinaldo e Riedel em Mato Grosso do Sul, vai além da eleição para Prefeitura da Capital, envolve a disputa em mais 36 municípios do Estado.

Já contando com uma ampla frente de apoio de 7 partidos – PSB, PSD, Republicanos, Podemos, além do MDB, Solidariedade e PL – a candidatura de Beto Pereira está viabilizada politicamente, falta o teste das urnas.

A partir de Brasília, a cúpula do PL está atuando organicamente para assegurar coligações, principalmente nas Capitais, com grupos que tenham cacife para eleger Senadores e Deputados Federais com perfis de centro-direita nas eleições de 2026.

Atualmente a bancada do PL no Senado é de 12 parlamentares e, reiteradamente, não tem sido capaz de barrar as pautas que tanto incomodam a direita. O ex-governador Reinaldo Azambuja deve concorrer, pelo PL, a uma das vagas para o Senado em 2026.

Mesmo atuando ativamente no Senado, Tereza Cristina talvez ainda não tenha se engajado ao projeto de poder do PL e da cúpula da direita que enxergam na Câmara Alta o ambiente mais adequado para travar os embates para viabilizar algumas de suas pautas e, mais importante, contrapor decisões do STF.

Mas, como disse a Senadora em seu depoimento no vídeo: “o PP tem um projeto para Mato Grosso do Sul e para a nossa Capital.” A insistência neste “projeto” isola politicamente Tereza e seu grupo e leva a reboque a agora mais fragilizada candidatura de Adriane Lopes.


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