Termina proibição de mulheres de dirigir na Arábia Saudita. Permissão foi anunciada em setembro, mas apenas a partir deste domingo as mulheres ganharam o direito a dirigir
 |
| Jovem faz aula de direção em um simulador, sob orientações de uma instrutora feminina em autoescola de Dhahran, na Arábia Saudita ©Ahmed Jadallah/Reuters |
As mulheres da Arábia Saudita podem dirigir a partir deste domingo (24). Até então, o governo local não permitia que elas conduzissem carros. O país era o último a ter uma restrição do tipo.
Anunciada em setembro de 2017, esta decisão promovida pelo príncipe herdeiro Mohammad bin Salman faz parte de um amplo plano de modernização do país, e põe fim a uma proibição que se tornou símbolo do status de inferioridade que é dado às mulheres.
"É um passo importante e uma etapa essencial para a mobilidade das mulheres", resumiu Hana al Jamri, autora de um livro que será publicado em breve sobre as mulheres no jornalismo na Arábia Saudita. |
| Instrutora feminina passa entre carros de uma autoescola em Dhahran, na Arábia Saudita ©Ahmed Jadallah/Reuters |
As sauditas "vivem em um sistema patriarcal. Dar a elas o volante ajudará a desafiar as normas sociais e de gênero que obstaculizam a mobilidade, a autonomia e a independência", disse.
Para muitas mulheres, sauditas e estrangeiras, a medida permitirá reduzir sua dependência de motoristas privados ou dos homens de sua família. |
| Foto de arquivo mostra Aziza Yousef dirigindo em uma estrada de Riyadh, na Arábia Saudita, em março de 2014, durante uma campanha contra a proibição de mulheres dirigirem no país ©Hasan Jamali/AP/Arquivo |
"É um alívio", declarou à AFP Najah al Otaibi, analista do centro de reflexão pró-saudita Arabia Foundation.
"As sauditas têm um sentimento de justiça. Durante muito tempo sofreram a negativa de um direito fundamental que as manteve confinadas e dependentes dos homens, tornando impossível o exercício de uma vida normal", indicou.
No início de junho, o reino entregou as primeiras carteiras de habilitação às mulheres. Algumas trocaram sua carta de condução estrangeira por uma saudita depois de passarem em uma prova.
3 milhões de motoristas até 2020
Cerca de três milhões de mulheres poderiam obter a carteira de motorista e começar a dirigir até 2020, segundo a consultora PricewaterhouseCoopers.
Foram abertas autoescolas em cidades como Riad e Jidá. Algumas ensinam inclusive a dirigir motos Harley Davidson, algo impensável até um ano atrás.
Muitas sauditas compartilharam nas redes sociais seus planos para domingo. Afirmam que acompanharão suas mães a tomar um café ou um sorvete, uma experiência banal para o resto do mundo mas excepcional na Arábia Saudita.
A proibição de dirigir suscitava críticas há algum tempo das organizações pró-direitos humanos. Muitas mulheres da elite saudita, que podiam dirigir em lugares como Londres ou Dubai, haviam tentado evitar essa proibição em seu país, mas foram detidas. |
| Uma mulher observa modelos expostos durante uma feira de carros para mulheres em Jeddah, na Arábia Saudita, na quinta (11) ©Amer Hilabi/AFP |
Interpretação religiosa
Durante décadas, os conservadores se apoiaram em interpretações rigoristas do islã para justificar a proibição de dirigir, alguns alegando inclusive que as mulheres não eram inteligentes o suficiente para se colocarem atrás do volante.
Do ponto de vista econômico, as consequências poderiam ser só benefícios, segundo especialistas. O fim da proibição poderia estimular o emprego de mulheres e, segundo uma estimativa da Bloomberg, acrescentar 90 bilhões de dólares à economia para 2030.
Mas muitas mulheres temem continuar sendo alvo dos conservadores, neste país onde os homens mantém o status de "tutores". Efetivamente, as sauditas devem sair com véu e continuam sujeitas a restrições importantes: não podem viajar, estudar ou trabalhar sem autorização de seus maridos ou dos homens da sua família.
Fonte: G1
Por: France Presse

