Política / Luto
ALEMS recebe velório de Marcelo Miranda e decreta luto oficial de três dias
Ex-governador morreu aos 87 anos, em Campo Grande, e será velado no saguão da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira
24/06/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul recebe, a partir das 8h desta quarta-feira, 24 de junho de 2026, o velório do ex-governador Marcelo Miranda Soares, uma das figuras centrais da formação política e administrativa do Estado. Ele morreu na terça-feira, 23 de junho, aos 87 anos, em Campo Grande, após complicações de uma pneumonia.
Em sinal de respeito, a ALEMS hasteou as bandeiras a meio-mastro e a Mesa Diretora declarou luto oficial de três dias, conforme o Ato 11/2026, publicado no Diário Oficial do Parlamento. A cerimônia será realizada no saguão Nelly Martins e aberta à população.
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gerson Claro, do PP, lamentou a morte do ex-governador e destacou a participação de Marcelo Miranda na consolidação institucional de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, a trajetória pública do ex-governador passou por funções relevantes, como a Prefeitura de Campo Grande, o Governo do Estado e o Senado Federal.
A ligação de Marcelo Miranda com a Assembleia Legislativa começou nos primeiros meses de funcionamento do Parlamento sul-mato-grossense. Em 1979, o Estado ainda vivia o início de sua organização administrativa quando o então governador Harry Amorim Costa foi exonerado pelo presidente da República, João Batista Figueiredo.
Como Mato Grosso do Sul não tinha vice-governador naquele momento, coube ao então presidente da Assembleia, deputado Londres Machado, assumir interinamente o Executivo estadual. A solução institucional passou pela própria Casa de Leis, que realizou, em 13 de junho de 1979, sua primeira sessão extraordinária para comunicar a exoneração e definir os procedimentos legais de continuidade do governo.
Amparado pelo artigo 55 da Constituição Estadual, que havia entrado em vigor poucas horas antes, Londres Machado permaneceu no comando do Estado por pouco mais de duas semanas. Em 30 de junho de 1979, Marcelo Miranda tomou posse como governador de Mato Grosso do Sul, após indicação do presidente da República.

A relação entre Marcelo Miranda e Londres Machado marcou parte importante da história política estadual. Além da convivência pública, os dois mantinham amizade. Londres Machado afirmou ter recebido com tristeza a notícia da morte do ex-governador e lembrou o período em que trabalhou ao lado dele como chefe da Casa Civil, em uma relação marcada por diálogo, confiança e respeito.
O legado familiar de Marcelo Miranda também chegou à atual composição da Assembleia. Neto do ex-governador, o deputado estadual João Henrique, do Novo, afirmou em nota de pesar que acompanhava o avô em campanhas desde os 10 anos de idade e que aprendeu com ele o valor do compromisso com a população e do serviço público com integridade.
Nascido em 1º de dezembro de 1938, em Uberaba, Minas Gerais, Marcelo Miranda Soares era engenheiro civil, administrador público e pecuarista. Formou-se pela Faculdade de Engenharia de Uberaba e fez especialização em Administração Municipal.
Ele chegou à região que mais tarde se tornaria Mato Grosso do Sul na década de 1970, para trabalhar na construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá, entre Três Lagoas e Castilho, em São Paulo. Depois, atuou no Departamento de Estradas de Rodagem, onde participou da implantação de aproximadamente 4,5 mil quilômetros de estradas vicinais.
A entrada na política ocorreu após convite do então governador Pedro Pedrossian e do ex-prefeito Levy Dias para disputar a Prefeitura de Campo Grande. Ele foi eleito prefeito em 1976 e comandou a Capital entre 1977 e 1979.
Em maio de 1979, renunciou à prefeitura para assumir o governo estadual por nomeação. No primeiro mandato, de 1979 a 1980, conduziu uma etapa importante da estruturação administrativa do Estado recém-criado. Durante sua gestão, nove distritos foram elevados à categoria de municípios: Bodoquena, Costa Rica, Douradina, Itaquiraí, São Gabriel do Oeste, Selvíria, Sete Quedas, Tacuru e Taquarussu.
Em 1982, Marcelo Miranda foi eleito senador da República, exercendo mandato entre 1983 e 1987. Depois, voltou ao comando do Executivo estadual ao vencer a eleição de 1986, tornando-se o primeiro governador de Mato Grosso do Sul eleito pelo voto direto após a redemocratização. O segundo mandato foi exercido de 1987 a 1991.
Após deixar o governo, continuou na vida pública. Entre 2003 e 2012, ocupou o cargo de superintendente regional do Dnit em Mato Grosso do Sul, sua última função pública.
A trajetória de Marcelo Miranda atravessa momentos decisivos da formação do Estado, da abertura de estradas à criação de municípios e à consolidação das instituições. A despedida na Assembleia Legislativa simboliza o reconhecimento a uma carreira que marcou a política, a infraestrutura e a administração pública sul-mato-grossense.
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