Saúde / Inverno
Inverno em MS eleva risco de doenças respiratórias e exige cuidados redobrados
Baixa umidade, fumaça e mudanças bruscas de temperatura devem afetar crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas
19/06/2026
08:00
EVELISE COUTO
©DIVULGAÇÃO
Com a chegada do inverno, que começa oficialmente em 21 de junho, Mato Grosso do Sul entra em um período que costuma exigir mais atenção à saúde, especialmente em Campo Grande e nas regiões mais afetadas pela estiagem. Apesar do alívio após meses de calor intenso, a estação é marcada por baixa umidade relativa do ar, longos intervalos sem chuva e piora na qualidade do ar por causa da fumaça das queimadas, cenário que pode ampliar crises respiratórias e outros problemas de saúde.
De acordo com o Boletim Climático Trimestral do CEMTEC/MS, entre julho e setembro de 2026 existe tendência de precipitação acima da média no Estado. Mesmo assim, os volumes previstos continuam baixos por se tratar do trimestre mais seco do ano. Na prática, a previsão mantém o padrão de estiagem, com períodos prolongados sem chuva e ar seco. Em 2026, esse contexto ainda pode ganhar mais atenção com a possibilidade de formação do El Niño, fenômeno ligado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico e capaz de alterar o comportamento das chuvas e das temperaturas.
Para a docente do curso de Enfermagem da Estácio, Priscila Vidal, o problema vai muito além do desconforto causado pelo clima. Segundo ela, a combinação entre variações de temperatura, baixa umidade e fumaça afeta diretamente o organismo, principalmente em grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares. A especialista destaca que, quando o ar seca demais, as mucosas do nariz, da garganta e dos olhos perdem parte da capacidade de proteção, o que favorece irritações, inflamações e infecções.
Entre os sintomas mais comuns nesse período estão dor de cabeça, olhos irritados, garganta seca, cansaço, dificuldade de concentração e sensação de mal-estar. Isso acontece porque o nariz tem a função de aquecer, filtrar e umidificar o ar antes que ele chegue aos pulmões. Com o ambiente muito seco, esse processo perde eficiência e o ar entra nas vias respiratórias com menos proteção, facilitando crises de rinite, asma e bronquite, além de deixar o organismo mais vulnerável à ação de vírus e bactérias.
A especialista também chama atenção para a perda de água pelo organismo nos dias mais secos. Segundo ela, o corpo desidrata com mais facilidade até durante a respiração, o que pode sobrecarregar o sistema circulatório e provocar fadiga e cefaleia. Nos olhos, o efeito também aparece rápido, porque a lágrima evapora com mais facilidade, deixando a superfície ocular mais exposta e sensível.
Outro fator de preocupação em Mato Grosso do Sul é a fumaça das queimadas, recorrente em períodos de estiagem no Pantanal e no Cerrado. Conforme explica Priscila Vidal, as partículas liberadas pelo fogo não ficam restritas às áreas atingidas e podem percorrer longas distâncias, comprometendo a qualidade do ar até mesmo nos centros urbanos. Essas partículas microscópicas conseguem penetrar fundo nos pulmões, dificultando a ação do sistema de defesa do organismo.
Quem já convive com rinite, sinusite ou asma costuma sentir os efeitos mais rapidamente, mas mesmo pessoas sem histórico de alergias podem apresentar tosse persistente, ardência na garganta, olhos vermelhos e falta de ar quando a fumaça se intensifica. O impacto é ainda mais delicado entre crianças, que respiram mais vezes por minuto e têm vias aéreas menores, e entre idosos, que normalmente possuem menor reserva pulmonar e cardiovascular.
No caso das gestantes, a atenção precisa ser especial. A desidratação pode favorecer contrações antes do tempo, enquanto a exposição frequente à fumaça pode trazer prejuízos ao desenvolvimento do bebê. Pessoas com hipertensão, bronquite crônica, asma e insuficiência cardíaca também estão entre as que têm menos margem de segurança quando o ar piora.
Apesar do cenário de risco, os cuidados preventivos são simples e podem fazer diferença no dia a dia. A principal recomendação é manter a hidratação constante, sem esperar a sede aparecer. Em casa, o uso de bacias com água ou toalhas molhadas pode ajudar a amenizar o ressecamento do ambiente. A lavagem nasal com soro fisiológico também é indicada, porque ajuda a remover partículas, umidificar a mucosa e reduzir inflamações. Para os olhos, colírios lubrificantes sem conservantes podem aliviar a irritação.
Nos dias com fumaça mais intensa, a orientação é evitar atividades físicas pesadas ao ar livre, manter janelas fechadas nos horários mais críticos e ventilar a casa no começo da manhã. Em escolas e locais de trabalho, facilitar o acesso à água e observar sinais de desconforto respiratório pode evitar agravamentos.
Também é importante ficar atento aos sinais de alerta. Falta de ar que não melhora em repouso, chiado no peito, febre alta e alteração na cor dos lábios ou das unhas indicam necessidade de atendimento médico. Para quem já tem doenças respiratórias ou cardíacas, a recomendação é não esperar a crise aparecer: revisar medicações, reforçar os cuidados e antecipar a consulta médica pode reduzir o risco de complicações durante o período mais seco do ano.
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