Política / Justiça
Polícia Civil quer ouvir Bolsonaro sobre pistola apreendida em blitz no DF
Arma registrada em nome do ex-presidente estava em veículo de militar do GSI e foi recolhida por falta do certificado no momento da abordagem
18/06/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A Polícia Civil do Distrito Federal pediu autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para colher depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que apura a apreensão de uma arma de fogo registrada em seu nome. O pedido foi enviado nesta quinta-feira, 18 de junho, após a pistola ser localizada durante uma blitz em Brasília.
A arma, uma pistola Glock 9 mm, estava no carro de Estácio Leite da Silva Filho, militar vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança do ex-presidente. Embora o armamento esteja registrado em nome de Bolsonaro, ele foi recolhido porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no veículo no momento da abordagem.
O caso é investigado pela 15ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal. No ofício encaminhado ao STF, a Polícia Civil sugere que Bolsonaro seja ouvido por videoconferência na tarde da próxima quarta-feira, 24 de junho, caso haja autorização judicial.
Segundo o documento enviado a Moraes, uma tentativa anterior de intimação pessoal não foi concluída. A Polícia Civil informou que a equipe de escolta responsável pelo ex-presidente não permitiu a efetivação do ato, o que teria impedido a ciência pessoal da intimação.
A apreensão ocorreu na segunda-feira, 15 de junho, durante uma blitz da Polícia Militar em Brasília. Após consulta ao sistema do Exército, os agentes confirmaram que a pistola estava registrada em nome de Jair Bolsonaro.
Em depoimento, o militar que dirigia o carro afirmou que transportava a arma para reparo e que ela seria devolvida posteriormente ao ex-presidente. Estácio Leite da Silva Filho prestou esclarecimentos à Polícia Civil e foi liberado.
A defesa de Bolsonaro sustenta que o ex-presidente pediu auxílio para consertar a arma. A investigação agora busca esclarecer as circunstâncias do transporte, a ausência do documento obrigatório no veículo e a responsabilidade sobre a guarda do armamento no momento da abordagem.
Bolsonaro cumpre atualmente pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde 24 de março, ele está em prisão domiciliar humanitária, autorizada por Alexandre de Moraes pelo prazo inicial de 90 dias, em razão da recuperação de uma broncopneumonia.
A autorização do STF será necessária para que a Polícia Civil avance na oitiva do ex-presidente. Caso o ministro autorize, o depoimento poderá ajudar a esclarecer se houve irregularidade apenas documental no transporte da pistola ou se há outros pontos a serem apurados no inquérito.
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