Campo Grande (MS), Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

Meio Ambiente / Economia

MS prepara edital de US$ 80 milhões para vender créditos de carbono

Governo aposta em ativos ambientais, florestas plantadas e programa Carbono Neutro para transformar preservação em receita

18/06/2026

11:30

DA REDAÇÃO

Mato Grosso do Sul deve lançar um edital de US$ 80 milhões para comercialização de créditos de carbono. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 18 de junho, pelo governador Eduardo Riedel, durante o Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP), realizado na sede da Famasul, em Campo Grande.

A proposta faz parte da estratégia do Estado para transformar ativos ambientais em oportunidade econômica. Segundo o governador, o edital será viabilizado pelo saldo de mitigação de gases de efeito estufa gerado por diferentes atividades, com destaque para a expansão das florestas plantadas e da cadeia produtiva da celulose em Mato Grosso do Sul.

A área ocupada por florestas plantadas no Estado passou de 378,1 mil hectares, em 2010, para cerca de 1,89 milhão de hectares em 2026. Esse avanço é apontado pelo governo como um dos fatores que fortalecem o balanço de carbono e ampliam a capacidade de Mato Grosso do Sul participar do mercado de créditos ambientais.

Durante o evento, Riedel citou a presença de grandes projetos industriais de celulose como elemento central nesse processo. O governador mencionou a fábrica da Suzano, em Ribas do Rio Pardo, a unidade da Arauco, em construção em Inocência, e o projeto da Bracell, previsto para Bataguassu.

“Nós temos as três maiores plantas industriais de celulose do mundo implantadas ou em implantação. Isso tem um efeito gigantesco nesse balanço de carbono. Quando apoiamos o produtor nessa linha, mostramos um caminho em que o resultado ambiental vem acompanhado do resultado econômico. Não é apenas uma questão de consciência, mas também de geração de renda”, afirmou Riedel.

O Estado vem mensurando emissões e compensações ambientais dentro do programa Carbono Neutro, que estabelece como meta neutralizar as emissões líquidas de Mato Grosso do Sul até 2030. A intenção é apresentar ao mercado dados capazes de demonstrar que produção agropecuária, industrialização e conservação ambiental podem avançar de forma integrada.

O governador também defendeu a remuneração por serviços ambientais prestados por produtores, especialmente no Pantanal. Segundo ele, proprietários rurais que optam por preservar áreas, mesmo podendo utilizá-las dentro dos limites legais, precisam ser reconhecidos economicamente pela conservação do bioma.

“Vamos mostrar aos mercados que é possível produzir mais e melhor, com eficiência e responsabilidade ambiental. Em Mato Grosso do Sul, da mesma maneira que se remunera a produção, também pagamos pelos serviços ambientais prestados pelos produtores do Pantanal”, declarou.

A discussão sobre créditos de carbono já vinha sendo tratada pelo governo desde o ano passado. Em outubro, durante debates preparatórios para a COP-30, realizada em novembro, em Belém, Riedel havia sinalizado a intenção de lançar um edital voltado à comercialização de créditos vinculados aos ativos ambientais do Estado.

As florestas plantadas têm papel relevante nesse modelo por atuarem na absorção e armazenamento de carbono durante o crescimento das árvores. Esse processo contribui para reduzir a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera e fortalece o argumento ambiental da atividade florestal.

Com o edital, Mato Grosso do Sul busca ampliar sua presença no mercado de carbono e criar novas fontes de receita associadas à economia verde. A medida também pode beneficiar produtores, empresas e cadeias produtivas que comprovem práticas sustentáveis, ao mesmo tempo em que reforça a meta estadual de chegar à neutralidade de carbono até 2030.


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