Economia / Crédito
Dívidas ocultas por golpe do nome limpo somam R$ 105,5 milhões em Mato Grosso do Sul
Protestos seguem válidos nos cartórios, mas deixaram de aparecer em consultas públicas usadas por bancos, comércio e fornecedores
17/06/2026
08:00
DA REDAÇÃO
O chamado golpe do nome limpo retirou da visibilidade pública R$ 105,5 milhões em dívidas protestadas em Mato Grosso do Sul, criando uma falsa aparência de regularidade financeira para devedores que continuam com pendências ativas nos cartórios. O problema atinge diretamente a segurança das operações de crédito no Estado e acende alerta para bancos, empresas, fornecedores e comerciantes.
De acordo com levantamento dos Cartórios de Protesto, 11.483 registros de protesto deixaram de aparecer em consultas públicas de crédito em Mato Grosso do Sul. As ocorrências envolvem 896 credores e 787 devedores, embora as dívidas não tenham sido quitadas e continuem formalmente válidas nos cartórios onde foram registradas.
Na prática, a retirada dessas informações das bases públicas compromete a análise de risco feita por instituições financeiras e pelo comércio. Um consumidor ou empresa pode parecer regular em determinados relatórios de crédito, mesmo mantendo protestos ativos. Isso aumenta a chance de concessão de crédito a devedores inadimplentes, eleva o risco das operações e pode encarecer financiamentos, compras parceladas e relações comerciais.
O presidente dos Cartórios de Protesto de Mato Grosso do Sul, Daniel Emilio Fontana Fries, afirma que o mercado precisa redobrar a atenção. Segundo ele, as dívidas continuam existindo e os protestos permanecem 100% válidos dentro dos cartórios.
“É necessário alertar ao comércio e aos bancos de que essas dívidas continuam existindo e os protestos permanecem 100% válidos dentro dos Cartórios. O mercado não pode confiar em relatórios parciais que foram manipulados. A gravidade é tamanha que o CNJ já reagiu com o Provimento nº 225/2026. Para não serem vítimas desse grave problema, a recomendação é clara: consultem a base oficial e gratuita dos Cartórios de Protesto”, afirmou Daniel Emilio Fontana Fries.
O problema não se limita a Mato Grosso do Sul. Em todo o país, nos últimos cinco anos, cerca de 2,9 milhões de dívidas protestadas deixaram de aparecer nas consultas públicas brasileiras. O volume financeiro chega a R$ 130 bilhões retirados das bases de informação, segundo os Cartórios de Protesto.
Desse total, R$ 20,8 bilhões correspondem a créditos públicos. O levantamento aponta ainda que mais de 66 mil credores no Brasil tiveram informações sobre seus créditos removidas das consultas nacionais, o que amplia o impacto para empresas, órgãos públicos e para a arrecadação.
Diante do avanço dos casos, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) editou o Provimento nº 225/2026, norma criada para monitorar decisões judiciais que determinam a retirada de protestos das bases de consulta. A publicidade das dívidas protestadas é prevista na legislação brasileira e reforçada pelas Leis Federais nº 9.492/1997 e nº 14.382/2022.
Para o comércio e o sistema financeiro, a principal orientação é confirmar a existência de protestos diretamente na base oficial e gratuita dos Cartórios de Protesto. A medida reduz o risco de prejuízos, melhora a análise de crédito e evita que empresas tomem decisões com base em relatórios incompletos ou manipulados.
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