Ampla Visão
Abraços e cafezinhos: é a caça aos eleitores
11/06/2026
20:15
MANOEL AFONSO
UM INSTANTE! Pelo visto, terão que aumentar de 24 para 33 ou mais as cadeiras na Assembleia Legislativa. A explicação está justificada pelo excesso de confiança e otimismo nas projeções das federações e partidos. É hora do pessoal recalcular seu potencial, pois a “caça” aos eleitores promete ser concorrida. Alguns vão sobrar.
BEM ASSIM: Em todas as eleições existem os tais candidatos do sistema, tidos como favoritos; os aventureiros sem nada a perder; e aqueles conscientes do papel de meros coadjuvantes em troca de recompensas futuras. Mas cada qual tem importância na somatória final dos votos. Como se diz: não se ganha eleição sozinho.
COMPARANDO: Na pesquisa da Ranking na mídia, Lula tem 32% de bom/ótimo e seu governo aprovado por 42% no MS. Mas seu fiel companheiro Vander patina nos 10% de intenção de votos ao Senado. Portanto, o prestígio de Lula é pessoal e nem sempre reflete em terceiros. Comenta-se que, pela sua lealdade, Vander seria recompensado com cargo na Itaipu Binacional.
ALERTA: Pesquisas mostram que 32% do eleitorado é avesso à polarização atual. São eleitores críticos do quadro nacional, não têm paixões partidárias e ideológicas. Fiéis da balança, eles deixam para decidir na última hora; também num reflexo da falta de novos personagens com propostas confiáveis, sem os tais apelos eleitoreiros de sempre.
LEITURA: A deputada estadual Gleice Jane (PT) tem visão sensata da influência do fator “bairrismo” no processo eleitoral das cidades e argumenta: trata-se de fato natural. Ela cita Dourados, Corumbá e Ladário como exemplos de eleitores com fortes vínculos voltados prioritariamente aos interesses locais, priorizando os candidatos da terra.
CÂMERA LENTA: Ano de eleições é sempre assim. Os deputados priorizam as viagens aos redutos interioranos, principalmente, e as pautas da Assembleia murcham. Até mesmo a disputada tribuna, normalmente palco de contundentes pronunciamentos, está em baixa. Esse cenário é parte do roteiro eleitoral. Sem novidades.
GOL DE PLACA: Repercute a aprovação no Senado do projeto de lei elevando o piso salarial nacional de médicos e dentistas de R$ 3.636,00 para R$ 13.662,00, para jornada de 20 horas semanais. Relator do texto, o senador Nelsinho Trad comemora e espera a aprovação na Câmara, além, é claro, da repercussão positiva nas urnas.
LEMBRETE-1: Candidato precisa abraçar! Não aquele abraço mecânico. Abraço é um forte estimulante de conexão emocional, melhor que as mensagens de redes sociais. Abraço quebra barreiras, aproxima pessoas, tornando-as mais próximas e iguais; cria um clima de cumplicidade. E mais: o eleitor se sente valorizado pelo político ilustre.
A PROPÓSITO: No recente congresso de vereadores, Contar, Nelsinho e Reinaldo não perderam tempo. Animados, distribuíam abraços e sorrisos para a plateia decisiva em termos de eleições. Diferem apenas no estilo pessoal, mas se equivalem nas propostas. As pesquisas têm mostrado o potencial de cada um deles rumo ao Senado. Pedreira!
LEMBRETE-2: Trilha sonora transforma lembrança em voto; eleitor até esquece os discursos, mas canta os refrãos. Na política, quem é lembrado é escolhido. Daí o valor da música símbolo na campanha. Quanto mais o povo canta, mais o nome cresce e se fortalece. Os sucessos de “Varre... Varre Vassourinha...”, de Jânio Quadros, e de “Lula Lá” mostram isso.
VISITAS: Prefeito de cidade interiorana diz que não é de reclamar. Mas quase todo santo dia recebe visita de candidatos. Após aquele longo papo sobre os mais variados temas, vem o sutil pedido de apoio. O legal no jogo político é que todos os envolvidos têm completa noção de comportamento nas mais diferentes situações. Um dia juntos, outro dia separados.
SÓ O COMEÇO: Pelas amostras iniciais, a Justiça Eleitoral jogará pesado nestas eleições. São os casos do deputado Rodolfo Nogueira, multado em R$ 15 mil pela prática da propaganda antecipada, e a decisão que determinou ao deputado João Henrique Catan a retirada de vídeo com IA da rede social. Decisões que devem frear os ânimos.
OUTRO LADO: Como das outras vezes, apenas os usuários ficaram no prejuízo com o “singular” aumento de 39% nas tarifas do pedágio da BR-163. Na outra ponta, os prefeitos de todos os municípios servidos pela rodovia estão comemorando o aumento da fatia mensal a que têm direito pelo chamado Imposto Sobre Serviços.
COMPLEXO: Assim defino o debate sobre a redução da maioridade penal. É difícil equilibrar a punição por delitos graves com o sucesso da reabilitação dos jovens. Os argumentos das duas correntes, a favor e contra, são válidos e devem ser levados em conta no debate que já sacode a opinião pública. Mais razão e menos emoção!
BEM NOSSA! Tomar como exemplo a maioridade penal de outros países, diferentes da nossa realidade sociocultural, é errado. Cada país com suas peculiaridades. Os senhores do crime organizado, que hoje usam os menores de 18 anos em suas ações, passariam a recrutar adolescentes menores de 16, sem prejuízo aos seus resultados ilícitos desejados.
RISCOS: Existem, sim, ao propor essa pauta delicada num ano eleitoral. Políticos podem incluir essa matéria no rol de suas proposituras, sob risco de dividir o eleitorado entre os “a favor” e os “contra”. Prepare-se para ouvir bazófias de candidatos mais interessados em desfrutar do poder do que resolver a questão da segurança e do combate à criminalidade.
REFERÊNCIA: Em defesa da candidatura do irmão Jaime ao Governo de Mato Grosso, o deputado Júlio Campos lembra no Facebook: “Na convenção da UDN em Três Lagoas (1965), Lúdio derrotou os deputados Fragelli e Garcia Neto. Apesar do apoio do governador Fernando Corrêa da Costa e da campanha rica de Lúdio, com 200 peruas Kombis, foi derrotado pelo então desconhecido engenheiro Pedro Pedrossian, da N.O.B.”.
O eleitor é pré-histórico, mas a urna é eletrônica. (Sponholz)
Trate com carinho a sua liberdade de escolha. (Chick Corea)
Os tais “influenciadores” influenciam quem mesmo? (Internet)
Há homens que, por dinheiro, são capazes até de uma boa ação. (Nelson Rodrigues)
O povo é aquela parte do Estado que não sabe o que quer. (Hegel)
A regra não falha em qualquer país do terceiro mundo que tenha dois líderes. Um está no poder e o outro na cadeia. (Millôr)
Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende. (João G. Rosa)
No futebol, o pior tipo de cego é o que só vê a bola. (Nelson Rodrigues)
Tô bem, mas, se eu pensar muito, eu choro. (Pedro Vinício)
A vida é um sopro. Aproveite!
Seja obcecado por soluções, não por problemas. (Donald Trump)
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