Campo Grande (MS), Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

Justiça / Segurança

Justiça determina medida protetiva para Adriane Lopes e restringe aproximação de Bruno Ortiz

Decisão judicial fixa distância mínima de 100 metros, proíbe contatos e impede presença do investigado na Prefeitura e em eventos com a prefeita

11/06/2026

11:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO/IA

A Justiça de Mato Grosso do Sul concedeu medida protetiva de urgência em favor da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e impôs uma série de restrições a Bruno Ortiz Barbosa. A decisão foi assinada pelo juiz Márcio Alexandre Wust, na quarta-feira (10), em processo que tramita com base na Lei Maria da Penha.

Na decisão, o magistrado considerou que os documentos apresentados no processo indicam situação compatível com violência doméstica e familiar, além da necessidade de adoção de providências para evitar riscos à integridade da chefe do Executivo municipal. O juiz apontou a possibilidade de danos graves e de difícil reparação caso não fossem fixadas medidas imediatas.

Entre as determinações, Bruno Ortiz Barbosa fica proibido de se aproximar de Adriane Lopes, de familiares dela e de testemunhas vinculadas ao caso. A distância mínima estabelecida pela Justiça é de 100 metros. A decisão também menciona que a prefeita deverá observar a mesma distância fixada judicialmente.

O juiz proibiu ainda qualquer forma de contato entre as partes. A restrição vale para ligações telefônicas, mensagens, e-mails, cartas, redes sociais ou qualquer outro meio de comunicação direta ou indireta.

Outra determinação impede Bruno Ortiz Barbosa de frequentar a Prefeitura de Campo Grande. Ele também não poderá comparecer a eventos públicos em que Adriane Lopes esteja presente na condição de prefeita da Capital.

As medidas deverão permanecer em vigor até a extinção do processo criminal principal. Conforme a decisão, eventual descumprimento poderá levar à decretação da prisão preventiva do investigado, nos termos previstos pela Lei Maria da Penha.

O despacho também autoriza oficiais de Justiça a requisitarem apoio policial para cumprimento da ordem. Caso seja necessário, a decisão permite inclusive o uso de arrombamento, dentro dos limites legais, para garantir a efetivação das medidas determinadas pelo Judiciário.

As partes deverão ser formalmente notificadas sobre o teor da decisão.

Histórico de embates políticos

Antes da decisão judicial, Bruno Ortiz Barbosa já vinha mantendo uma sequência de confrontos públicos com a prefeita Adriane Lopes. Influenciador digital e personagem ativo no debate político local, ele passou a ganhar visibilidade com críticas frequentes à administração municipal, principalmente em temas ligados à saúde pública e à gestão financeira da Prefeitura.

Em uma das ações de maior repercussão, Ortiz protocolou, em parceria com o ex-candidato a prefeito Luso Queiroz (PSOL), um pedido de impeachment contra Adriane Lopes. A denúncia apontava supostas irregularidades administrativas e fiscais na condução da Prefeitura de Campo Grande.

O pedido, no entanto, foi arquivado pela Câmara Municipal, que entendeu não haver comprovação suficiente de omissão deliberada por parte da prefeita para justificar a abertura do processo de afastamento.

Além da iniciativa na Câmara, Bruno Ortiz também passou a divulgar ações de fiscalização nas redes sociais. Em um dos episódios mais comentados, ele entrou em um café da manhã que contava com a presença do deputado estadual Lídio Lopes (Avante), marido da prefeita, para cobrar explicações sobre problemas na rede municipal de saúde.

Na ocasião, as cobranças envolveram falta de médicos, ausência de medicamentos e dificuldades enfrentadas por usuários nas unidades de saúde de Campo Grande.

Ortiz também publica vídeos com questionamentos sobre supostos rombos financeiros na gestão municipal, falta de insumos na saúde e indicações políticas para cargos técnicos da Prefeitura.

Nos últimos meses, os confrontos ganharam intensidade com anúncios de transmissões ao vivo, convites para debates públicos e novas críticas direcionadas à prefeita. Integrantes do grupo político de Adriane Lopes passaram a classificar as iniciativas como provocações de natureza política. Já Bruno Ortiz sustentava que suas ações tinham caráter fiscalizatório e buscavam cobrar respostas da administração municipal.

Com a decisão judicial, o embate deixa o campo exclusivamente político e passa a ter restrições formais impostas pela Justiça, com regras de distância, comunicação e presença em espaços públicos ligados à atuação institucional da prefeita de Campo Grande.

 


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