Justiça / Investigação
PF rejeita nova proposta de delação de Daniel Vorcaro no Caso Master
Defesa do dono do Banco Master agora concentra negociação na PGR, que também analisa o acordo de colaboração
11/06/2026
20:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Polícia Federal (PF) rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em Brasília no âmbito da investigação que apura suposto esquema bilionário de fraudes financeiras.
A decisão foi comunicada oficialmente aos advogados do banqueiro por e-mail enviado na quarta-feira (10). Na mensagem, os investigadores informaram que não havia interesse na nova versão do acordo, repetindo a posição adotada em relação à primeira proposta apresentada pela defesa.
Vorcaro foi informado da negativa pelos advogados durante visita realizada nesta quinta-feira (11), na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde permanece preso.
Com a recusa da PF, a defesa passa a apostar na análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que também recebeu a proposta de colaboração premiada e avalia se há elementos suficientes para dar prosseguimento à negociação.
No mês passado, a Polícia Federal já havia rejeitado uma primeira versão da delação. Segundo relatos da investigação, o material apresentado pela defesa teria acrescentado pouco ao que já foi levantado pelos agentes.
Investigadores também demonstraram preocupação com a possibilidade de o banqueiro estar tentando preservar pessoas próximas, em vez de oferecer informações consideradas relevantes para o avanço das apurações.
A proposta de delação vinha sendo tratada de forma conjunta com a PF e a PGR. No início de maio, a defesa de Daniel Vorcaro finalizou os anexos do acordo e entregou o material às autoridades em um pen drive.
Daniel Vorcaro é acusado pela Polícia Federal de chefiar um esquema de fraudes financeiras que pode chegar a R$ 12 bilhões. A investigação do chamado Caso Master apura suspeitas relacionadas à atuação do banqueiro e de pessoas ligadas ao grupo.
Durante as diligências, a PF apreendeu mais de oito celulares de Vorcaro. Segundo a investigação, a perícia inicial em parte dos aparelhos indicou que o caso pode ir além de fraudes financeiras, com suspeitas de corrupção, organização criminosa e uso de uma estrutura privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.
No mês passado, após pedido da Polícia Federal, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília. Com isso, passou a seguir as regras internas da unidade para visitas, inclusive dos advogados.
Antes da transferência, ele estava em uma sala com características semelhantes às de “Estado-maior”, espaço também utilizado anteriormente para custodiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.
Vorcaro havia sido levado, em 19 de março, da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, no centro da capital. Um dia antes, a defesa procurou a PF para informar o interesse do banqueiro em firmar acordo de delação premiada.
Na ocasião, ele assinou termo de confidencialidade, etapa inicial para abertura das tratativas de colaboração.
Com a nova negativa da Polícia Federal, o futuro da delação de Daniel Vorcaro dependerá da avaliação da PGR, que poderá decidir se há elementos novos, úteis e verificáveis capazes de justificar a continuidade das negociações.
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