Clima / Alerta
El Niño é confirmado para o segundo semestre de 2026 e acende alerta em Mato Grosso do Sul
Fenômeno pode provocar calor extremo, chuvas irregulares, estiagem, queimadas e impactos na saúde, agricultura e pecuária
11/06/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO/IA
O fenômeno El Niño foi confirmado para o segundo semestre de 2026 pela NOAA, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos. Com a atualização, a condição deixou o status de “monitoramento” e passou para “aviso” meteorológico, indicação de que o fenômeno já está em andamento e deve persistir pelos próximos meses.
A mudança foi registrada na nova Discussão Diagnóstica ENSO, boletim técnico divulgado pelo Centro de Previsão Climática, vinculado à NOAA. O documento aponta que o oceano e a atmosfera já apresentam sinais típicos da fase quente do fenômeno, como o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e alterações nos padrões de circulação dos ventos.
Conforme o boletim, a probabilidade de permanência do El Niño varia entre 97% e 99% em todos os trimestres entre junho de 2026 e o verão de 2027.
Até maio, o Pacífico já apresentava sinais de aquecimento, mas a atmosfera ainda não respondia de forma plena a essas mudanças. Por isso, a condição era tratada como “monitoramento”.
Nas últimas semanas, porém, os meteorologistas identificaram o fortalecimento de anomalias de vento características do El Niño, índices de Oscilação Sul negativos e deslocamento gradual da atividade convectiva para o Pacífico central e leste. Esses sinais indicam que oceano e atmosfera passaram a atuar de maneira integrada.
Além disso, as principais regiões monitoradas do Pacífico Equatorial registraram temperaturas acima do limite técnico usado para caracterizar o fenômeno. Com esse conjunto de fatores, o sistema climático foi reclassificado para “aviso”, consolidando a ocorrência do El Niño.
A previsão dos meteorologistas é de que o El Niño ganhe força de forma gradual ao longo do segundo semestre de 2026. O pico deve ocorrer entre a primavera e o verão no Hemisfério Sul, período que vai de setembro de 2026 a março de 2027.
Os boletins indicam ainda 63% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Caso essa projeção se confirme, o episódio poderá figurar entre os mais intensos registrados nas últimas décadas.
Em 3 de junho de 2026, o Governo de Mato Grosso do Sul decretou emergência ambiental por 180 dias em razão dos riscos associados ao El Niño. A expectativa é de aumento das temperaturas, maior irregularidade climática e possibilidade de eventos extremos ao longo do segundo semestre.
Durante coletiva realizada na Governadoria, o governador Eduardo Riedel afirmou que o Estado tem acumulado experiência no enfrentamento de episódios climáticos extremos e está se preparando para responder aos possíveis impactos do fenômeno.
“Sejam eles provocados por excesso de chuvas, secas ou queimadas. O El Niño pode trazer temperaturas mais elevadas, excesso de chuva em algumas regiões e irregularidade climática. É difícil prever exatamente como isso ocorrerá. O que sabemos é que haverá impactos e precisamos estar preparados”, afirmou.
Segundo o governador, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil estão mais estruturados para atuar em situações de incêndios, enchentes e outros eventos provocados por alterações climáticas.
“O Estado tem capacidade de resposta e está atento a essas variáveis que afetam a economia e a sociedade. Ainda é muito difícil prever impactos disso na agricultura. Não sabemos se haverá seca, excesso de chuva ou em quais regiões isso ocorrerá. Esse nível de precisão ainda não existe. Mas acredito que estamos preparados e atentos para agir diante de qualquer situação que afete a população”, destacou.
Segundo análises do Cemtec, o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul, o último episódio de El Niño com influência significativa no Estado ocorreu entre 2023 e 2024.
Naquele período, o fenômeno teve intensidade forte em escala global e provocou reflexos importantes em Mato Grosso do Sul, principalmente aumento das temperaturas, estiagens prolongadas e agravamento do risco de incêndios florestais, com atenção especial ao Pantanal.
O novo evento previsto para 2026 preocupa os técnicos porque os modelos climáticos apontam alta probabilidade de evolução para intensidade moderada a forte, com possibilidade de atingir nível muito forte durante o segundo semestre.
De acordo com o Cemtec, a tendência é de intensificação gradual ao longo do inverno e da primavera, justamente em um período de maior sensibilidade para o controle de queimadas e para o planejamento da produção agropecuária.
Os principais efeitos esperados para Mato Grosso do Sul incluem temperaturas acima da média, ondas de calor mais frequentes e intensas, chuvas irregulares, veranicos durante a estação chuvosa, períodos prolongados de tempo seco e aumento do risco de incêndios florestais.
As regiões mais vulneráveis tendem a ser o Pantanal, além de áreas do oeste, sudoeste e norte do Estado. Nessas localidades, a combinação de calor intenso, baixa umidade e redução das chuvas pode criar condições críticas para queimadas, déficit hídrico e prejuízos ambientais.
Na saúde, o calor excessivo e o ar seco podem favorecer problemas respiratórios, desidratação, agravamento de doenças cardiovasculares e aumento do desconforto térmico, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
No setor agropecuário, os efeitos podem incluir estresse hídrico nas lavouras, queda de produtividade, dificuldade no desenvolvimento das culturas, degradação de pastagens e aumento do estresse térmico no rebanho.
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação atmosférica global e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do planeta.
Normalmente, o fenômeno dura entre 9 e 18 meses. Em alguns casos, começa de forma fraca e ganha intensidade com o passar do tempo, provocando impactos mais amplos na agricultura, nos recursos hídricos, na saúde pública e no risco de desastres ambientais.
Em Mato Grosso do Sul, a confirmação do El Niño reforça a necessidade de planejamento preventivo, monitoramento climático permanente e preparação dos órgãos públicos para reduzir danos à população, ao meio ambiente e às atividades econômicas do Estado.
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