Campo Grande (MS), Sexta-feira, 06 de Março de 2026

Ampla Visão

Eleições prometem: ainda não vimos nada!

Movimentações da janela partidária, disputas internas na direita sul-mato-grossense, articulações para 2026 e bastidores da política estadual indicam que o cenário eleitoral ainda deve passar por fortes reviravoltas.

05/03/2026

20:00

MANOEL AFONSO

PORTEIRA ABERTA: Foi só abrir a janela partidária e temos sinais de que muita coisa vai acontecer no cenário estadual. Aliás, o encontro de Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto com Eduardo Riedel e Reinaldo Azambuja em Brasília lembra o criticado episódio de 2024, com o candidato Beto Pereira avistando-se com Bolsonaro e Valdemar em busca de apoio.

PROJETO: No encontro de 2024, Valdemar Costa Neto disse que entre a candidata do PP, da senadora Tereza Cristina, Bolsonaro decidira caminhar com Riedel. Valdemar revelou que após as eleições formaria um único partido da direita no Estado, com as participações de Riedel e Reinaldo. Mas com a derrota, o sonho derreteu.

ÁGUA ABAIXO: No lugar de sanar as arestas, aumentaram as rusgas entre o pessoal “direita raiz” e o grupo do governador Eduardo Riedel e de Reinaldo Azambuja. Aliás, as votações de Marcos Pollon para deputado federal (103.111 votos), de João Henrique Catan para deputado estadual (25.914 votos) e de Rodolfo Nogueira para a Câmara Federal (41.731 votos) fomentam esse desejo por autonomia política.

PREOCUPADO: Por mais que tente, o experiente Reinaldo Azambuja sabe o que o espera ao longo dos próximos meses. Suas dúvidas são as mesmas que a opinião pública cultiva. Esse episódio do bilhete, a divisão no “Grupo Bolsonaro” e as declarações contraditórias de lideranças bolsonaristas formam um caldo de nitroglicerina. Traições à vista.

MICHELLE: Todos sabem das divergências entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os filhos “instáveis” do ex-presidente Jair Bolsonaro. Primeiro é o ciúme pelo poder de influência dela nas decisões do marido — segundo, a inveja pelo espaço que ela tem conseguido no campo da política nacional e, notadamente, no prestígio através do PL Mulher.

GUERRA: Michelle Bolsonaro tem seu próprio projeto político. O caminho seria disputar o Senado pelo Distrito Federal. Mas, de vez em quando, solta pitacos sobre a situação de candidaturas em alguns estados. Com isso, gera desconforto nas lideranças regionais do PL. A manifestação apoiando a candidatura de Marcos Pollon ao Senado foi um desastre.

QUEM MANDA? Fatos desgastantes envolvendo membros da Família Bolsonaro e as declarações de Valdemar Costa Neto têm provocado espanto na classe política. Com esse quadro confuso no partido, pode haver problemas mais sérios que comprometam o projeto de governar o país. Muito amadorismo.

NA ARQUIBANCADA: Percebe-se que o pessoal do PT local está adorando esse clima que paira no recanto adversário. Na Assembleia Legislativa, os deputados petistas têm ironizado esse episódio e Zeca do PT faz questão de frisar que o Governo de Mato Grosso do Sul governa só para os fazendeiros. Enfim, o clima eleitoral chegou pra valer naquela Casa de Leis.

RADICALIZAÇÃO: É notória a postura hostil ao Governo pelo deputado João Henrique Catan na Assembleia Legislativa — diferente de seu colega de PL, o coronel David, discreto nas manifestações. Catan caminha para viabilizar seu projeto pessoal. Sua saída do PL sinaliza isso: disputar o Governo do Estado agora e a Prefeitura de Campo Grande depois. Quem viver verá.

PRECAVIDOS: Pesquisas emitem sinais de alerta para alguns e animam os políticos da direita radical. Bem nas pesquisas, o ex-deputado Capitão Contar tem assumido a postura de candidato ao Senado, com as bênçãos de Brasília. Mas não há unidade neste grupo da direita e, como sempre, a vaidade pessoal e a sede de poder atrapalham.

DÚVIDAS: Ingressando no partido NOVO, como se comportarão esses políticos “rebeldes”? Estarão efetivamente unidos? Qual tipo de novas lideranças conseguirão atrair para esse grupo ou partido visando formar chapa competitiva? Vale lembrar da obrigatoriedade da proporção de 30% de candidaturas femininas e do quociente eleitoral entre 55 mil e 60 mil votos.

BATALHA: Se nas eleições vencidas por Eduardo Riedel o número de candidatos a deputado estadual chegou a 368, no pleito deste ano, em função de vários fatores e mudanças na legislação, a previsão é que tenhamos cerca de 250 candidatos. Muito ou pouco? Muitos destes “sonhadores” passarão despercebidos do eleitorado.

A ESPERA: A provável participação de Marquinhos Trad nestas eleições como candidato abriria as portas para a ascensão política do contador Salah Hassan, primeiro suplente do PDT à vereança e que obteve cerca de 2.400 votos. Nesta fase de especulações de toda ordem, Hassan cuida de sua vida profissional. É “brimo”.

E NA VIDA REAL?
“É preciso reconhecer que o eleitor enfrenta uma dificuldade real ao tentar diagnosticar o caráter dos candidatos. No esforço pela conquista do voto, eles escondem suas fraquezas com perícia. Seus discursos são sempre altruístas, generosos, bem-intencionados. Na retórica, todos são estadistas; na prática, poucos resistem ao teste da vida real.” (Jorge Wilson S. Jacob)

É BEM ASSIM: Candidato a vereador na capital promoveu churrasco no Distrito de Anhanduí: 200 pessoas, duas duplas sertanejas, dois traseiros bovinos, 10 caixas de cerveja, duas leitoas e quatro carneiros. Festão! Na urna, apenas um voto. Explicação: dias após o evento, outros candidatos distribuíram notinhas de R$ 100.

VERDADES:
O Congresso Nacional transformou-se num enorme mercado. É uma instituição que não tem valor, tem preço. Locuções relativamente novas no vocabulário político, como emenda parlamentar e fundo partidário, escondem valores fabulosos de dinheiro público manejado por senadores e deputados, e destinos inconfessáveis.” (Irapuan Costa Junior, ex-governador de Goiás)

RESISTENTE: De olho na janela partidária, o deputado Dagoberto Nogueira (PSDB) respira confiante em mais uma vitória. Aliás, derrota mesmo ele sofreu apenas ao Senado em 2010, com cerca de 60 mil votos a menos do que o candidato eleito, Waldemir Moka. Ele admite que mais uma vez a concorrência pelas oito vagas de deputado federal será ferrenha. Mas, até aqui, vai bem nas pesquisas.

CATINGA: Não se trata de perseguição ou coisa que o valha, mas a advogada Viviane Barci, mulher do poderoso ministro Alexandre de Moraes (STF), está faturando R$ 128.571 por dia, segundo contrato com o Banco Master. Apenas para lembrar o leitor amigo, o total a ser recebido é de R$ 129 milhões.


PÍLULAS DIGITAIS

• A facada nas costas não dói, mas quando você se vira e descobre quem deu... aí sim.
• “A maneira mais rápida de acabar com a guerra é perdê-la.” (George Orwell)
• “A história é a soma de coisas que poderiam ser evitadas.” (Konrad Adenauer)
• “Todo o homem tem seu preço, poucos, porém, têm valor.” (Solda)
• Passa pelo psicanalista e cumprimenta: “Olá, como vou?” (Millôr)
Quer acabar com alagamentos e enchentes? Não jogue lixo nas urnas. (Internet)
Ladrão julgado ladrão. 500 anos de corrupção. (Internet)
• “Quanto mais corrupta a República, mais leis.” (Rui Barbosa)
• “A corrupção do melhor é a pior.” (Padre Antônio Vieira)
• “A corrupção oculta é igual à pública. A diferença é que na pública fede mais.” (Machado de Assis)
• “Qual o futuro de um país no qual a lei é interpretada ao sabor de conveniências e grande parte da população já não acredita na Justiça?” (Sérgio Rosenthal)


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