Política / Eleições 2026
Carta de Bolsonaro provoca crise no PL de Mato Grosso do Sul e leva lideranças a reunião decisiva em Brasília
Disputa por vagas ao Senado envolve Reinaldo Azambuja, Capitão Contar, Marcos Pollon e Gianni Nogueira e ameaça equilíbrio da direita no Estado
04/03/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A divulgação de uma carta do ex-presidente Jair Bolsonaro indicando o deputado federal Marcos Pollon como seu candidato ao Senado por Mato Grosso do Sul provocou uma crise interna no Partido Liberal (PL) e levou lideranças políticas a convocar uma reunião estratégica em Brasília, nesta quarta-feira (4).
O encontro reúne o ex-governador Reinaldo Azambuja, o governador Eduardo Riedel (PP), o senador Flávio Bolsonaro, além do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, numa tentativa de preservar o acordo político que reorganizou o campo da direita no Estado.
A intervenção direta de Bolsonaro, atualmente preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, alterou o cenário político que vinha sendo construído desde o ano passado.
A crise começou após Bolsonaro manifestar publicamente preferência por Marcos Pollon como candidato ao Senado pelo PL em Mato Grosso do Sul. Nos bastidores, aliados do ex-presidente também apontam a possibilidade de uma segunda indicação do bolsonarismo: a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira.
Caso as duas candidaturas se confirmem, o partido passaria a ter quatro nomes disputando duas vagas ao Senado:
Reinaldo Azambuja, ex-governador e atual presidente estadual do PL
Renan Contar (Capitão Contar), ex-deputado estadual
Marcos Pollon, deputado federal
Gianni Nogueira, vice-prefeita de Dourados
O cenário ameaça o acordo político firmado em setembro de 2025, quando Azambuja deixou o PSDB e assumiu o comando do PL em Mato Grosso do Sul. Naquele momento, a costura previa que o partido lançaria Azambuja e Capitão Contar como candidatos ao Senado.
Pesquisas internas mencionadas nos bastidores indicam que Pollon e Gianni aparecem com menos de 6% de preferência eleitoral, o que ampliou a tensão dentro da legenda.
A movimentação também preocupa aliados do governador Eduardo Riedel, que trabalha na construção de uma ampla aliança para sustentar sua candidatura à reeleição em 2026.
Caso o impasse não seja resolvido, a disputa interna pode fragmentar a direita sul-mato-grossense e comprometer o arranjo político que vinha sendo articulado entre PL, PP e outros partidos aliados.
A intervenção de Bolsonaro reacende lembranças da eleição estadual de 2022, quando o então presidente interferiu na disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul e posteriormente declarou neutralidade, gerando desgaste entre aliados locais.
Na época, lideranças do então PSDB estadual, incluindo Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel, esperavam contar com o apoio explícito do Palácio do Planalto.
O episódio expôs a forte influência da liderança nacional do bolsonarismo sobre as decisões regionais.
Apesar da manifestação de apoio a Pollon, o ex-deputado Capitão Contar defende que o partido respeite o acordo firmado anteriormente com a direção nacional.
Segundo ele, a definição das candidaturas deveria obedecer ao critério de viabilidade eleitoral nas pesquisas.
“Recebi com muito respeito a manifestação do presidente. O PL é o maior partido de direita do Brasil, e é natural que novos nomes se somem ao projeto”, afirmou.
Contar também reforçou que o entendimento inicial previa a escolha dos dois candidatos mais competitivos.
“O que está combinado desde o começo é que os dois mais viáveis, com maior pontuação em pesquisa, irão para a convenção.”
Ele acrescentou que a decisão envolveria a participação de Valdemar da Costa Neto, Flávio Bolsonaro e do senador Rogério Marinho.
O ambiente interno também foi tensionado após a circulação de anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro, que mencionariam supostas pressões para evitar a candidatura de Pollon. Embora os envolvidos tenham negado irregularidades, o episódio ampliou a desconfiança dentro do partido.
Com a janela partidária ainda aberta, lideranças admitem que mudanças podem ocorrer nas próximas semanas. Entre os cenários discutidos nos bastidores está a possibilidade de Reinaldo Azambuja buscar outra legenda, como PSD ou até mesmo retornar ao PP, caso o espaço político dentro do PL se reduza.
Para o diretor do IPEMS (Instituto de Pesquisas de Mato Grosso do Sul), Lauredi Borges Sandim, o desfecho permanece incerto.
“Pode haver uma reviravolta partidária, sim. Ainda existe janela partidária nos próximos 30 dias, o que permite mudança de rumo”, avaliou.
Já o cientista político Daniel Miranda, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), entende que o apoio público de Bolsonaro tende a fortalecer Marcos Pollon dentro do partido e aumentar a disputa pela segunda vaga ao Senado.
Segundo ele, entretanto, Reinaldo Azambuja ainda mantém forte controle político do PL no Estado, o que pode evitar uma ruptura definitiva.
A reunião marcada para esta quarta-feira em Brasília deve funcionar como termômetro da crise e indicar se haverá espaço para acomodação interna.
Caso prevaleça o critério das pesquisas, o partido poderá preservar a unidade. Se a preferência pessoal de Jair Bolsonaro for mantida sem ajustes políticos, o PL corre o risco de sair dividido da disputa ao Senado em Mato Grosso do Sul, com impactos que podem atingir também a estratégia eleitoral para o governo do Estado em 2026.
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