Campo Grande (MS), Sábado, 14 de Fevereiro de 2026

Saúde Pública / Vigilância Sanitária

MS registra 2.950 internações por pancreatite aguda em cinco anos; Anvisa alerta para risco associado a medicamentos emagrecedores

Casos cresceram entre 2021 e 2025; uso de fármacos à base de semaglutida e liraglutida exige prescrição e acompanhamento médico

14/02/2026

08:00

DA REDAÇÃO

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Mato Grosso do Sul contabilizou 2.950 internações por pancreatite aguda entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS). Embora os registros não detalhem as causas específicas, a inflamação do pâncreas pode estar associada ao uso de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”, segundo alerta recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Entre os fármacos citados estão os agonistas do receptor GLP-1, como Mounjaro e Ozempic, que contêm princípios ativos como tirzepatida, semaglutida e liraglutida. De acordo com a Anvisa, o risco de pancreatite já consta nas bulas desses medicamentos, mas houve aumento nas notificações de eventos adversos.

Crescimento progressivo de internações

Os números estaduais indicam elevação contínua dos casos ao longo dos anos:

  • 2021: 459 internações

  • 2022: 561 internações

  • 2023: 625 internações

  • 2024: 664 internações

  • 2025 (até novembro): 641 internações

Os dados de dezembro de 2025 ainda não foram consolidados.

Riscos e monitoramento médico

A SES-MS reforçou que medicamentos à base de semaglutida ou liraglutida devem ser utilizados exclusivamente com prescrição e acompanhamento médico.

Segundo a pasta, esses fármacos exigem ajuste gradual de dose para reduzir efeitos adversos como náuseas e vômitos, além de avaliação individual do histórico clínico do paciente, especialmente em casos de:

  • Histórico prévio de pancreatite

  • Alterações na tireoide

  • Problemas renais

A pancreatite aguda pode evoluir para formas graves, incluindo quadros necrotizantes e risco de morte.

Notificações no Brasil e no exterior

Dados da autoridade reguladora do Reino Unido (MHRA) indicam que, entre 2007 e outubro de 2025, foram registradas cerca de 1.300 notificações de pancreatite aguda associadas a esses medicamentos, com 19 mortes.

No Brasil, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, houve 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados às canetas emagrecedoras, sendo seis com desfecho fatal, conforme dados oficiais.

Diante do cenário, a Anvisa determinou que farmácias e drogarias passem a reter a receita médica na venda desses medicamentos. A prescrição deve ser emitida em duas vias, com validade de até 90 dias, seguindo modelo semelhante ao aplicado a antibióticos.

O que é pancreatite aguda

A pancreatite é um processo inflamatório que pode ocorrer de forma crônica ou aguda. Na forma aguda, surge de maneira repentina e pode durar alguns dias.

A inflamação ocorre quando enzimas digestivas são ativadas dentro do próprio pâncreas, provocando autolesão do órgão. Entre as causas mais frequentes estão:

  • Consumo excessivo de álcool

  • Cálculos biliares

  • Uso de determinados medicamentos

Os sintomas incluem dor abdominal intensa, febre, náuseas e vômitos.

Recomendações

A Anvisa orienta que pacientes em uso desses medicamentos procurem atendimento médico imediato em caso de dor abdominal persistente, especialmente se acompanhada de outros sintomas.

Profissionais de saúde devem suspender o tratamento diante de suspeita de pancreatite e não reiniciá-lo em caso de confirmação diagnóstica.

A SES-MS também reforça que o tratamento medicamentoso deve ser complementar a alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, não substituindo hábitos saudáveis essenciais para o controle de peso e manutenção dos resultados a longo prazo.


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