Polícia / Investigação
Gaeco e Gecoc deflagram operação contra suposto esquema de corrupção em municípios de MS
Ações desta terça-feira atingem Rio Negro, Corguinho e Terenos, que já foi alvo de operações com prisão de prefeito e contratos sob suspeita
10/02/2026
07:45
CGD
DA REDAÇÃO
Viatura do Batalhão de Operações Policiais Especiais dá apoio à ação em Terenos
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) deflagraram, na manhã desta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, uma nova operação para apurar suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos em municípios de Mato Grosso do Sul.
As investigações concentram-se principalmente em Rio Negro e Corguinho, onde há suspeitas de participação de servidores públicos municipais e empresas privadas na execução de contratos considerados irregulares. Conforme informações preliminares, o esquema envolveria possíveis ilícitos relacionados à administração pública.
Além dessas cidades, equipes também cumpriram diligências em Terenos, município localizado a 31 quilômetros de Campo Grande, onde moradores foram novamente surpreendidos com a presença de viaturas e agentes nas primeiras horas do dia.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o número de mandados cumpridos ou eventuais prisões. O caso segue sob sigilo parcial.
Com população estimada em 18.182 habitantes, Terenos tem sido alvo recorrente de operações conduzidas pelo Ministério Público Estadual.
No dia 21 de janeiro de 2026, o Gaeco deflagrou as operações “Collusion” e “Simulatum”, para cumprimento de 6 mandados de prisão e 30 mandados de busca e apreensão. As investigações apuram suspeitas de fraudes em licitações e contratos administrativos firmados com a Prefeitura e a Câmara Municipal.
A operação “Collusion” investiga organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública, especialmente fraudes em contratos relacionados a materiais e serviços gráficos firmados com o município desde 2021.
Já a operação “Simulatum” apura supostas irregularidades em contratos de publicidade e locação de equipamentos de som celebrados com a Câmara Municipal, também a partir de 2021.
Em setembro de 2025, o Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 59 mandados de busca e apreensão no âmbito de outra operação. Entre os alvos estava o prefeito de Terenos, Henrique Wancura (PSDB).
O gestor chegou a ser preso, obteve liberdade com monitoramento eletrônico, mas permanece afastado do cargo há quatro meses.
Segundo nota do Gaeco à época, a investigação apontou a existência de organização criminosa com núcleos de atuação bem definidos, liderada por agente político que atuaria como articulador do esquema.
De acordo com o Ministério Público, o grupo utilizava servidores públicos para fraudar o caráter competitivo de licitações, direcionando certames por meio de editais moldados e simulação de concorrência. Somente no último ano investigado, os contratos sob suspeita teriam ultrapassado R$ 15 milhões.
As apurações também indicam pagamento de propina a agentes públicos que atestariam falsamente a execução de serviços e acelerariam trâmites administrativos para liberação de pagamentos.
Parte das provas teria sido obtida a partir da análise de aparelhos celulares apreendidos na Operação Velatus, cujo conteúdo foi compartilhado mediante autorização judicial e teria revelado o modus operandi do grupo.
A operação desta terça-feira representa desdobramento das investigações anteriores e amplia o foco para outros municípios, como Rio Negro e Corguinho, onde também há indícios de irregularidades em contratos públicos.
O Ministério Público busca aprofundar a apuração sobre a extensão do suposto esquema e identificar o grau de envolvimento de agentes públicos e empresários.
Novas informações devem ser divulgadas após consolidação dos dados obtidos nas diligências realizadas nesta terça-feira.
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