Economia / Política
Indicadores positivos da economia ampliam apoio da classe média e acendem alerta na direita
Avanços em renda, emprego e consumo fortalecem governo Lula em um eleitorado historicamente mais resistente ao PT
28/01/2026
19:45
DA REDAÇÃO
Fábio Trad: "Lula governa para todos os segmentos da população"
Os resultados recentes da política econômica do governo Lula (PT) começam a repercutir de forma consistente junto à classe média brasileira, um segmento tradicionalmente mais distante do petismo e hoje visto como estratégico para as eleições de 2026. O movimento tem provocado preocupação no campo da direita, especialmente entre lideranças que apostavam na manutenção de um ambiente de insatisfação econômica como eixo central do discurso oposicionista.
Após consolidar um novo momento de diálogo com setores evangélicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passa a avançar também sobre outro território politicamente sensível: o eleitorado de renda média urbana. O fator decisivo tem sido a melhora objetiva dos indicadores econômicos, confirmada por estatísticas oficiais, pesquisas de mercado e dados sociais amplamente reconhecidos.
Relatórios recentes apontam crescimento do PIB, controle da inflação, queda do desemprego, valorização real do salário mínimo e recordes na atração de investimentos. A renda média do trabalhador brasileiro apresenta trajetória de alta e pode ultrapassar R$ 3.700 em 2026, fortalecendo o consumo doméstico e ampliando o acesso a bens e serviços.
Para o advogado Fábio Trad (PT), ex-deputado federal e atual gerente de Auditoria e Controle da Embratur, esse cenário é impulsionado pela combinação entre expansão da renda, maior oferta de crédito e inflação sob controle.
“A recuperação do salário, ainda que gradual, é uma poderosa incentivadora do acesso das camadas assalariadas a bens e serviços que antes eram financeiramente inacessíveis”, avalia Fábio Trad.
Segundo ele, entre 2023 e 2025, o rendimento médio real cresceu 9,7%, alcançando R$ 3.507, enquanto a taxa de desemprego caiu para 6,1%, o menor nível da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012.
Os dados mais recentes mostram um mercado de trabalho aquecido:
Quase 104 milhões de pessoas ocupadas no país
39 milhões de trabalhadores com carteira assinada
Redução expressiva em relação a agosto de 2020, quando o total de ocupados era de cerca de 82 milhões
O avanço do emprego formal e da renda tem impacto direto no humor da classe média, especialmente em centros urbanos, onde o custo de vida e o acesso ao crédito são fatores decisivos de avaliação política.
Para o economista Pedro Rossi, professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica, o balanço do chamado “Lula 3” é majoritariamente positivo.
“Todos os indicadores sobre mercado de trabalho e redução da pobreza estão melhores nos últimos dois anos. Há contradições, porque o governo tenta avançar em uma agenda econômica mais progressista, mas enfrenta a herança de um modelo neoliberal profundamente institucionalizado”, analisa.
Outros indicadores reforçam o ambiente econômico mais estável:
Dólar operando abaixo de R$ 5,30 em sequência recente
Bolsa de valores batendo recordes históricos
Recuperação do setor automotivo, com crescimento de 15% nas vendas de veículos novos em 2024, o melhor desempenho desde 2006
O desempenho do setor automotivo é visto como um termômetro clássico da classe média, por envolver crédito, renda estável e confiança no futuro econômico.
Apesar de enfrentar críticas severas de setores ligados ao agronegócio, o governo Lula ampliou significativamente os recursos destinados ao campo. O Plano Safra atingiu R$ 516,2 bilhões, o maior da história.
Distribuição dos recursos:
R$ 414,7 bilhões para custeio e comercialização
R$ 101,5 bilhões para investimentos
R$ 69,1 bilhões para o Pronamp (médio produtor)
R$ 89 bilhões para o Pronaf, voltado à agricultura familiar
Segundo aliados do governo, os números reforçam a tese de que Lula governa para todos os segmentos econômicos, desmontando a narrativa de exclusão frequentemente explorada pela oposição.
A consolidação desses dados positivos começa a reconfigurar o cenário político nacional, sobretudo entre eleitores de renda média, historicamente mais suscetíveis a discursos liberais ou conservadores. Para a direita, o risco é claro: uma classe média com renda em alta, emprego estável e consumo aquecido tende a reduzir a receptividade a pautas de confronto e crise permanente.
Com isso, os indicadores econômicos passam a desempenhar papel central não apenas na gestão, mas também na disputa política de 2026.
Por: Edson Moraes
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