Campo Grande (MS), Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2026

Política / Eleições 2026

Com Caiado no PSD, partido articula aliança com Podemos e pode unir Nelsinho Trad e Soraya Thronicke em MS

Movimento busca alternativa de centro-direita a Lula e ao bolsonarismo e redesenha o tabuleiro eleitoral de 2026 no Estado

28/01/2026

16:30

DA REDAÇÃO

©ARQUIVO

A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD marca um novo reposicionamento da direita brasileira e abre caminho para uma articulação nacional que pode ter reflexos diretos em Mato Grosso do Sul. A legenda comandada por Gilberto Kassab trabalha para construir uma frente de centro-direita, fora do eixo do PT e do bolsonarismo, e mira uma possível aliança com o Podemos e outros partidos médios para fortalecer um projeto presidencial em 2026.

Com Caiado, o PSD passa a reunir três governadores com projeção nacional: além do goiano, Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). O movimento embaralha o cenário eleitoral e sinaliza que o partido pretende lançar um nome próprio ao Palácio do Planalto, como alternativa à tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no fim de 2025.

Aliança nacional e tempo de TV

Segundo informações divulgadas pela jornalista Daniela Lima, do portal UOL, o PSD vem mantendo conversas há meses com dirigentes do Podemos e do Solidariedade. Uma eventual coligação com essas siglas garantiria mais tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, além de ampliar a capilaridade regional da candidatura presidencial do partido.

A estratégia é clara: consolidar um campo de centro-direita sem Bolsonaro, capaz de dialogar com o eleitorado conservador, mas também com setores moderados insatisfeitos com a polarização política.

Impacto direto em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, essa articulação pode resultar em um cenário inédito: Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke (Podemos) no mesmo palanque em 2026, ambos disputando a reeleição ao Senado.

A aliança afastaria os dois senadores dos polos tradicionais. Nelsinho, ex-prefeito de Campo Grande, deixaria de vez a órbita do bolsonarismo, enquanto Soraya, que já se distanciou publicamente de Jair Bolsonaro, também ficaria longe do palanque de Lula e do campo petista no Estado.

Nelsinho como peça-chave do PSD em MS

O senador Nelsinho Trad é considerado por Kassab um nome estratégico para estruturar o palanque do PSD em Mato Grosso do Sul. Além da disputa pela reeleição ao Senado, ele deve atuar na campanha pela reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).

Atualmente, Nelsinho enfrenta dificuldades de encaixe na composição majoritária estadual. O grupo de Riedel tende a lançar dois candidatos ao Senado, o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar, ambos do PL, o que reduz o espaço para o senador do PSD na chapa governista.

Soraya fora dos extremos

Do outro lado, Soraya Thronicke também tende a se manter distante tanto do bolsonarismo quanto do lulismo. Caso a aliança PSD–Podemos se concretize, a senadora dificilmente estará no palanque do candidato petista ao governo estadual, Fábio Trad, reforçando sua posição de independência em relação aos dois polos nacionais.

Direita sem Bolsonaro e cenário pós-bolsonarista

A filiação de Caiado ao PSD é vista, nos bastidores, como o movimento mais relevante da direita fora do bolsonarismo desde o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O objetivo central é preparar um projeto para o pós-bolsonarismo, com nomes competitivos, discurso institucional e capacidade de diálogo com diferentes setores da sociedade.

O gesto também é interpretado como um sinal definitivo de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), abandonou qualquer pretensão presidencial em 2026, optando por manter alinhamento com o clã Bolsonaro e focar na reeleição estadual.

Com isso, a direita passa a se organizar em trilhas paralelas: de um lado, o bolsonarismo; de outro, uma frente de centro-direita liderada pelo PSD, que tenta ocupar o espaço deixado por Tarcísio e se apresentar como alternativa viável no cenário nacional.


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