Economia / Política
Banco Central mantém Selic em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva e sinaliza corte em março
Taxa básica permanece no maior patamar em quase 20 anos, enquanto Copom condiciona início da flexibilização ao controle da inflação
28/01/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, manter a Taxa Selic em 15% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada nesta quarta-feira (28). A decisão confirma a expectativa do mercado financeiro e marca a quinta reunião seguida sem alteração nos juros, que permanecem no maior nível desde julho de 2006, quando atingiram 15,25% ao ano.
No comunicado divulgado após a reunião, o Copom indicou que pode iniciar o ciclo de redução dos juros já em março, desde que o cenário projetado para a inflação se confirme e não haja novas pressões relevantes no ambiente econômico.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o BC.
A reunião ocorreu com o colegiado incompleto. Os mandatos dos diretores Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Paulo Pichetti (Política Econômica) expiraram no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não enviou ao Congresso os nomes dos substitutos, o que deve ocorrer após a retomada dos trabalhos legislativos em fevereiro.
Mesmo assim, a decisão foi unânime entre os membros presentes.
Após atingir 10,5% ao ano em maio de 2024, a Selic voltou a subir em setembro do mesmo ano, em um ciclo de aperto monetário que levou a taxa a 15% ao ano em junho de 2025. Desde então, o Copom optou por manter os juros nesse patamar elevado.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2025, o IPCA fechou em 4,26%, o menor nível anual desde 2018, ficando dentro do teto da meta contínua de inflação.
Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro, o alvo central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, permitindo variação entre 1,5% e 4,5%. A apuração passa a ser feita mensalmente, considerando a inflação acumulada em 12 meses, e não mais apenas o índice fechado de dezembro.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado em dezembro, o BC reduziu a projeção de inflação para 3,5% em 2026, mas indicou que o número ainda será revisto diante das oscilações do câmbio e do comportamento dos preços.
Já o mercado financeiro projeta um cenário um pouco mais pressionado. Segundo o boletim Focus, a inflação de 2026 deve encerrar o ano em 4%, ligeiramente acima do teto da meta.
Juros elevados ajudam a conter a inflação ao encarecer o crédito e desestimular o consumo, mas também limitam o crescimento econômico. No mesmo relatório, o Banco Central elevou sua projeção de crescimento do PIB de 1,5% para 1,6% em 2026.
O mercado é mais otimista. De acordo com o Focus, os analistas estimam expansão de 1,8% do PIB no próximo ano.
O Copom volta a se reunir em março, quando, se confirmadas as expectativas de inflação sob controle, poderá iniciar um ciclo gradual de cortes na Selic. O BC, no entanto, reforçou que qualquer flexibilização será feita com cautela, mantendo o compromisso com a estabilidade de preços.
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