Política / Justiça
Investigadores avaliam situação de Toffoli como insustentável e alertam STF sobre agravamento do Caso Banco Master
Ministros veem como saída técnica o envio do inquérito à primeira instância para reduzir desgaste institucional e retirar relator do centro da crise
26/01/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Investigadores envolvidos nas apurações do Caso Banco Master avaliam que a situação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou-se insustentável e tende a se agravar nos próximos meses. O diagnóstico foi levado a ministros da Corte, com o alerta de que a continuidade do caso no STF pode ampliar o desgaste institucional e arrastar o tribunal para o centro de uma crise política prolongada.
Relator do inquérito desde dezembro, quando decidiu levar ao Supremo as investigações sobre supostas fraudes financeiras do Banco Master, Toffoli passou a ser alvo de questionamentos por decisões consideradas atípicas. Entre elas, a determinação para que material apreendido na 2ª fase da Operação Compliance Zero fosse enviado ao STF, e não à Polícia Federal (PF).
Na última semana, veio a público que fundos ligados ao Banco Master compraram participação de irmãos de Dias Toffoli no Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). A informação foi divulgada por O Estado de S. Paulo e confirmada pela TV Globo, ampliando a pressão sobre o relator.
Segundo investigadores, não há um ponto de virada único que encerre a crise. O problema é estrutural: existem frentes de investigação fora do controle do STF, especialmente em São Paulo, onde apurações sobre fundos e estruturas financeiras seguem em andamento e podem gerar novos fatos a qualquer momento — independentemente das decisões do relator no Supremo.
Esse cenário já foi apresentado à maioria dos ministros do STF. Investigadores alertaram que o caso tem potencial para “arrastar o tribunal para a lama”, convertendo um problema individual em risco institucional. A gravidade do quadro é reconhecida internamente.
Nos bastidores da Corte, cresce a avaliação de que a situação é complexa demais para que Toffoli permaneça à frente do caso. Uma ala defende que o inquérito desça para a primeira instância, alternativa descrita como o “feijão com arroz” jurídico:
Não cria tese nova;
É defensável tecnicamente;
Retira Toffoli do centro do caso;
Reduz a pressão direta sobre o STF.
Trata-se, segundo ministros, da opção menos traumática para a Corte — ainda que não seja considerada honrosa.
A alternativa de afastamento voluntário do relator é vista como improvável. Ministros não acreditam que Toffoli aceitaria deixar a condução do caso. Internamente, há também a queixa de que faltou uma articulação institucional prévia, com diálogo coordenado para construir uma saída antes de a crise ganhar dinâmica própria.
O resultado é que o STF entrou antecipadamente no debate político-eleitoral. Nos bastidores, a avaliação é que a Corte foi colocada “na linha de tiro da campanha”, deixando de ser alvo exclusivo da extrema-direita e passando a integrar o radar eleitoral de forma mais ampla, em um momento de alta sensibilidade institucional.
Para uma ala do tribunal, o impasse permanece nas mãos do próprio Dias Toffoli. Manter o caso no STF concentra o desgaste no relator e amplia o risco de o Supremo ser visto como juiz em causa própria. Com a possibilidade de surgirem novos fatos fora do alcance do relator, a capacidade de contenção pode se tornar inviável.
A leitura interna é clara: esticar a corda agrava a crise, empurra o STF para o centro do debate político e prolonga um cenário de instabilidade. A crise envolvendo Toffoli, avaliam investigadores e ministros, não tem prazo para acabar — resta apenas a chance de ser contida antes de contaminar toda a Corte.
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