Economia
Após privatização, Aeroporto de Campo Grande perde 9,6% dos voos e registra aviões cada vez mais lotados
Mesmo com queda na oferta de decolagens desde a concessão à espanhola Aena, número de passageiros cresce 5,2% e taxa de ocupação atinge recorde histórico
06/12/2025
19:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Dois anos após passar à administração da empresa espanhola Aena, o Aeroporto Internacional de Campo Grande registra uma queda de 9,6% no número de voos comerciais. No mesmo período, o volume de passageiros aumentou 5,2%, fenômeno que resultou em aviões mais cheios, maior dificuldade para acomodação de bagagens e aumento no tempo de embarque e desembarque.
Dados oficiais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que, nos dez primeiros meses de 2023, antes da concessão, foram contabilizadas 10.004 decolagens comerciais. Em 2024, o número caiu para 9.573 e, em 2025, recuou ainda mais, chegando a 9.040 decolagens — uma redução de 964 voos no período.
Após o colapso provocado pela pandemia, quando os voos caíram mais de 50% entre 2020 e 2021, o movimento começou a se recuperar gradualmente a partir de 2022. No entanto, essa retomada foi interrompida justamente após a entrada da Aena, em outubro de 2023.
Mesmo antes da privatização, a oferta ainda estava distante do melhor momento do terminal. Em 2012, por exemplo, nos dez primeiros meses do ano, o aeroporto realizou 17.347 decolagens, volume 47,8% superior ao de 2025.
Apesar da redução na oferta de voos, o número de passageiros cresceu de 1,242 milhão em 2023 para 1,307 milhão em 2025, no mesmo intervalo dos dez primeiros meses do ano — um acréscimo de 5,2%.
O resultado direto foi o aumento expressivo da taxa de ocupação das aeronaves, que atingiu 83,4% em 2025 — o maior índice da história do aeroporto, cerca de 3,5 pontos percentuais acima dos anos anteriores.
Em contraste, em 2012, quando a oferta de voos era muito maior, a taxa de ocupação média foi de apenas 67%, mesmo com o transporte de 1,355 milhão de passageiros, apenas 48 mil a mais que em 2025, apesar dos quase oito mil voos adicionais naquele período.
Outro fator que influencia a redução de passageiros em Campo Grande é a ampliação dos voos em Bonito. De janeiro a outubro de 2025, 54 mil passageiros utilizaram o aeroporto da cidade turística, número 27% maior que em 2024. Em 2012, esse total era de apenas 8,1 mil passageiros.
A expansão do terminal de Bonito tem deslocado parte da demanda regional que antes dependia exclusivamente da capital sul-mato-grossense.
A própria administradora atribui parte da queda à execução das obras de modernização do terminal. Desde o início de outubro de 2025, estão suspensos pousos e decolagens entre 23h e 5h, medida que deve permanecer até abril de 2026.
O prazo contratual para conclusão das obras é junho de 2026, quando estão previstas as principais entregas, incluindo a instalação de três pontes de embarque (fingers) — estrutura inédita no aeroporto de Campo Grande e que deverá agilizar os processos de embarque e desembarque.
Quando assumiu a concessão, a Aena anunciou que, além das melhorias físicas no terminal, trabalharia para a ampliação da oferta de viagens. No entanto, os números da Anac mostram que, até o momento, a realidade vai na direção oposta, com menos voos, maior lotação e pressão sobre a operação do terminal.
Decolagens (jan–out)
2023: 10.004
2024: 9.573
2025: 9.040
Passageiros (jan–out)
2023: 1,242 milhão
2025: 1,307 milhão
Taxa de ocupação em 2025: 83,4% (recorde histórico)
Prazo final das obras: junho de 2026
Suspensão de voos noturnos: até abril de 2026
Futuramente: 3 pontes de embarque em operação
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